Estudo

Softwares de tablets e smartphones não querem saber de nós. E deviam!

Estudo aconselha a que o software dos dispositivos móveis privilegie a utilização dos polegares, por implicar "menor carga muscular do antebraço, menores níveis de desconforto e um melhor desempenho"

Texto de P3/Lusa • 19/01/2018 - 12:11

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software dos tablets deveria preocupar-se em "minimizar o risco postural e musculoesquelético" do utilizador e não o faz. Pedro Arezes, investigador e professor catedrático da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, considera que aquela optimização pode ser conseguida, por exemplo, "se os respectivos comandos forem desenhados no formato de botão 'deslizante' horizontal, com prioridade para a sua utilização pelo polegar e, por isso, serem localizados junto do fundo do ecrã e uma curta distância do limite do mesmo".

 

Um estudo pioneiro, no qual participou, recorreu à técnica de análise da actividade eléctrica muscular e à análise tridimensional do movimento, partindo da hipótese de que "o uso de comandos através do polegar direito, colocado na parte inferior do ecrã, requer uma menor carga muscular do antebraço, menores níveis de desconforto e um melhor desempenho".

 

Pedro Arezes explicou que se concluiu que "a utilização de comandos do tipo botão deslizante, quer no formato vertical ou horizontal, será mais fácil de usar em determinados locais do ecrã", sendo que "os resultados permitem também perceber que formatos específicos dos comandos e que localizações e tamanhos serão os melhores para reduzir a carga muscular no antebraço e melhorar o conforto e desempenho dos utilizadores".

 

O projecto, que esteve na base da publicação daquele estudo, publicado na revista Applied Ergonomics, foi coordenado pela Universidade de Harvard, e resultou numa ligação estratégica entre aquela instituição e a multinacional norte-americana Microsoft. O objectivo é agora que os resultados obtidos permitam aos fabricantes optimizarem as interfaces usadas nos dispositivos tácteis, como tablets e smartphones. "Em empresas que actuam em mercados exigentes, a optimização de novos produtos não pode ser feita por uma estratégia de tentativa e erro, precisam de suportar as suas ideias e conceitos em dados objectivos que lhes permita que um produto a colocar no mercado esteja já muito próximo daquele que entendem como sendo a situação óptima", salientou.

 

Assim, referiu, "é expectável que a Microsoft conceba a próxima geração de sistemas operativos seguindo as nossas recomendações" como, disse, "não colocar os comandos (botões, slides, botões deslizantes) fora do alcance conveniente dos dedos, pois implica maior carga muscular". Pedro Arezes explicou ainda que "os softwares devem ser desenhados de forma a maximizarem a utilização dos polegares quando o utilizador estiver a usar o dispositivo em formato landscape ou o indicador quando estiver em formato vertical".

 

Cuidado com a carga muscular 

Sobre o efeito do uso de tablets e smartphones na musculatura e postura, o investigador referiu que o uso daqueles equipamento "por si só não significa obrigatoriamente maior risco postural ou maior carga muscular, tudo irá depender da forma como os dispositivos são usados" e de factores como "forma, peso, materiais, software, etc.".

 

O investigador exemplificou com situações do dia-a-dia: "Vemos várias situações em que os tablets e telemóveis são suportados apenas pelos braços, sem suporte adicional, e com uma constante e acentuada flexão do pescoço e tronco", apontou. Para evitar problemas, Pedro Arezes apela à "regra do bom senso".

 

"Embora não resulte directamente do nosso estudo, uma regra de bom senso é que utilizadores evitem manter a mesma postura por muito tempo e que interrompam a utilização sempre que sintam algum desconforto ao nível dos braços, pulsos ou dedos. A percepção de algum desconforto, mesmo que não seja impeditiva da utilização, é um sinal claro que a carga muscular é elevada e que, ao não ser evitada, poderá resultar em efeitos mais críticos e permanentes", alertou. O estudo foi desenvolvido na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, em Boston, onde Pedro Arezes se encontra temporariamente a trabalhar.

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