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Crónica

Final Fantasy XII: reinos de cristal

“Final Fantasy XII: The Zodiac Age”, o remaster do jogo de 2006 agora lançado, disponibiliza ao resto do mundo uma versão exclusiva para o mercado japonês, refinando-a e melhorando-a, tornando-se na melhor versão existente do jogo

Texto de Carlos Mendes • 30/07/2017 - 13:45

Carlos Mendes é docente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo

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Na cidade real de Rabanastre, capital do reino de Dalmasca situado na vasta região ficcional de Ivalice, um festivo cortejo de humes (como são conhecidos os humanos de “Final Fantasy”), vieras, bangaas, moogles e outras espécies bípedes nas ruas, em diversidade que rivaliza com alguns mundos vistos na saga “Star Wars”, aguarda um casamento real. Casam a princesa Ashe de Dalmasca e o príncipe Rasler da vizinha Nabradia, na esperança de fortalecerem a resistência dos seus pequenos reinos às intenções expansionistas dos impérios Archadia e Rozarria que disputam entre eles o domínio da região. À alegria daquela união rapidamente sucede o funesto fogo de artifício da batalha aérea na noite em que a Archadia invade os reinos unidos, anexando-os. Assim começa, desta forma vibrante, “Final Fantasy XII: The Zodiac Age”, o remaster de um dos jogos mais injustamente esquecidos da mais famosa das séries desenvolvidas pela companhia japonesa Square Enix. E assim prosseguirá, já que, na noite da invasão, o jogador começará a aprender as regras do jogo de Ivalice sendo testemunha de uma conspiração determinante, através da sua participação nela.

 

Dois anos após estes acontecimentos trágicos, a cidade ocupada é agora fortemente patrulhada por soldados imperiais e as vozes da rua comentam entredentes os desenvolvimentos político-militares do reino, em pequenos ajuntamentos. No dia em que é empossado o novo governador do reino, o representante local do Império, reforça-se a vigilância e limita-se grandemente a circulação na cidade. A tensão sente-se logo no nosso primeiro passeio nela, quando controlamos Vaan, um dos muitos órfãos da guerra na cidade, meninos de rua que sobrevivem de pequenos furtos. Mesmo quanto o interesse da intriga palaciana parece afrouxar, esta sensação forte de percorrermos espaços vívidos é permanente e um dos principais encantos de “Final Fantasy XII”.

 

Além de Vaan, o menino de rua que aspira à vida glamourosa de pirata do ar, o jogador terá a oportunidade de controlar cinco outros personagens, ricamente caracterizados, que, com aquele, constituem o grupo que realmente protagoniza “Final FantasyXII”, centrando-se neles a resistência ao poderoso Império Archadia: Penelo, também ela uma orfã produzida pela guerra; Balthier, um carismático pirata do ar, pragmático e cínico; Fran, uma viera marginalizada pela sua espécie que aderiu à piratagem; Basch, um cavaleiro de Dalmasca acusado da mais grave das traições; e a princesa Ashe que procura restituir o reino de Dalmasca.

 

O remaster de “Final Fantasy XII”, originalmente lançado em 2006, segue a versão “internacional” do jogo, a que apenas o Japão teve acesso em 2007. “The Zodiac Age” mantém os melhoramentos significativos introduzidos por essa versão, refinando-os e acrescentando-lhes outros, tornando-se na melhor versão de “Final Fantasy XII”. Além de uma cuidada actualização gráfica do jogo, “The Zodiac Age” oferece também uma regravação de excelente qualidade da banda sonora, agora ainda mais adequada ao ambicioso projecto de produzir em jogo um híbrido de épico de fantasia e ópera espacial. Da versão “internacional”, mantém a possibilidade de se acelerar duas ou quatro vezes mais as acções de jogo, permitindo aos jogadores uma gestão das várias dezenas de horas que aquele os ocupará conforme as suas prioridades. Da mesma maneira, o remaster permite-lhes agora terem maior controle sobre as características dos personagens que controlam, sendo esta uma das mais evidentes melhorias disponibilizadas pela nova versão.

 

Depois de algumas frustrações em anos recentes, com este cuidado remaster, a surpreendente qualidade de “Final Fantasy XV” de 2016, e o anunciado remake do emblemático “Final Fantasy VII”, a Square Enix parece apostada em reabilitar uma das séries mais importantes e populares da história dos videojogos, no que constituirá outro sinal bastante forte de estar em curso uma “renascença” dos videojogos japoneses e, com ela, possibilidades criativas novas para este meio.

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