Tecnologia

Google Street View entra em órbita e leva-nos à Estação Espacial Internacional

Depois de explorar os oceanos, a Antárctida e ruas de quase todos os países, a ferramenta panorâmica do Google chega pela primeira vez ao espaço

Texto de Cláudia Carvalho Silva • 23/07/2017 - 11:09

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Dar uma volta (virtual) pela Estação Espacial Internacional, a estrutura constituída por 15 módulos que orbita a 400 quilómetros acima das nossas cabeças, passou a ser possível na quinta-feira. É o primeiro Street View (funcionalidade de navegação imersiva e panorâmica do Google Maps) a funcionar fora do planeta.

 

A visita começa com uma vista hipnotizante sobre a Terra, digna de filme de ficção científica, e o passeio prossegue com vários apontamentos clicáveis (indicados pelos pequenos círculos azuis) que permitem interpretar o que se está a ver – seja a mesa onde os astronautas comem, os módulos que se vêem pelas escotilhas, os compartimentos de higiene e descanso ou os múltiplos dispositivos electrónicos que se vão encontrando pelos corredores.

 

As imagens, captadas há alguns meses, foram registadas pelo astronauta francês Thomas Pesquet, conhecido por partilhar nas redes sociais fotografias feitas a partir da estação espacial, incluindo de Lisboa, que sublinha que o projecto é possível graças à cooperação internacional. O astronauta esteve seis meses a bordo como engenheiro de voo e regressou à Terra no mês passado.

 

“Foi difícil encontrar as palavras ou tirar fotografias que descrevessem com exactidão o sentimento de estar no espaço”, escreve o astronauta numa publicação da Google, acrescentando que esta nova funcionalidade permite um grande nível de imersão, sendo um retrato fiel do que é a estação por dentro e da vista que se tem da Terra.

 

Ainda que pareça fácil viajar pela estação sentado confortavelmente em frente a um ecrã, a captação das imagens foi um desafio para o astronauta. Tudo se resolveu sem gravidade (literalmente): como não era possível utilizar os métodos tradicionais da Google usados na Terra, Pesquet utilizou câmaras DSLR que já estavam a bordo. Tirou várias fotografias, seguindo instruções da equipa terrestre, que foram enviadas para a Terra, onde foram posteriormente processadas para criar imagens panorâmicas.

 

Dezasseis pores-do-sol por dia

A Estação Espacial Internacional está em órbita desde 1998 viaja a mais de 27 mil quilómetros à hora – fazendo com que complete cerca de 16 órbitas por dia, razão pela qual os astronautas assistem a muitos nasceres e pores-do-sol em 24 horas. Numa publicação feita pela NASA, os utilizadores eram convidados a “flutuar no espaço”, viajando pela estrutura e tendo acesso aos sítios “onde os astronautas fazem exercício e onde fazem experiências científicas”, por exemplo.

 

A estação espacial, constituída por 15 módulos interconectados, é um importante instrumento de estudo do espaço, permitindo ainda a recolha de informações sobre atmosfera, oceanos e superfície terrestre. “Podemos fazer experiências que não conseguiríamos fazer na Terra”, explica Thomas Pesquet, como monitorizar a forma como o corpo humano reage à microgravidade ou perceber a evolução de uma tempestade, assim como dos níveis de poluição nos mares.

 

Nas imagens deste projecto especial do Google Street View é possível ver, entre as centenas de cabos emaranhados, muitos dos 52 computadores que operam na estação espacial em várias posições, tantas quanto as possibilitadas pela gravidade zero.

 

Apesar desta inovação, o Street View já tem um historial de projectos invulgares. Para além de permitir passeios virtuais mais convencionais pelas ruas das cidades, também possibilita visitas ao fundo dos oceanos, à Grande Barreira de Coral da Austrália, à Antárctida, ao Europeu de 2016, ao CERN, a monumentos de Portugal (e aos seus caminhos-de-ferro), aos locais onde foi filmada A Guerra dos Tronos ou a Diagon Alley de Harry Potter, entre muitos outros locais.

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