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Crónica

O que os e-sports em Portugal precisam

Os e-sports em Portugal estão constantemente a crescer, mas parece faltar algo — um impulsionador que os traga para o lugar que merecem

Texto de Ivan Barroso • 13/04/2016 - 14:15

Ivan Barroso é historiador de videojogos, game designer, editor da revista Pushstart e professor de Game Production na Etic

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Apesar de a indústria portuguesa dos videojogos ter crescido muito, não é a única com este tipo de sinergia. Actualmente, outros subsectores também têm aparecido e com números notáveis. Escrevo "notáveis" porque parece que muitos se esqueceram como era o nosso país no inicio desta década: pequeno, poucos eventos, a viver uma crise económica, quase nenhum curso de videojogos, poucas empresas do sector... Enfim. Não era triste, mas, comparado com o panorama actual, era completamente diferente. O país pode continuar pequeno, mas, o resto mudou.

 

Hoje, escrevo sobre um desses subsectores, os e-sports. Sim, pode-se considerar que estejam em crescimento, embora discreto. Equipas e organizações, como a Fraglider, Grow uP Gaming, K1ck, FTW, ESPL, League of Legends Portugal, entre outras, têm procurado encontrar investimento para fortalecer esta área — que conta com centenas de milhares de seguidores no nosso país. Infelizmente, apesar dos e-sports, serem actualmente um negócio multibilionário, com torneios de títulos como League of Legends, Counter Strike, ou Dota 2, com prémios na ordem dos milhões de dólares, e audiências, na mesma escala, o investimento nacional tem sido difícil. As organizações e as equipas têm feito imenso com pouquíssimos recursos. Falta aquele importante impulsionador, que ajude a acelerar o crescimento na direcção certa. O seu potencial é óbvio. Mas falta algo. Por isso contactei alguns responsáveis por estas equipas e organizações. Afinal, o que fará este sector crescer?

 

A primeira pessoa que contactei foi Telmo Ferreira, CEO dos Grow uP Gaming, que não perdeu tempo. "Falta apoio das empresas, não directamente ligadas aos e-Sports". A solução seria "trazer novas empresas de "mass market", um pouco como aconteceu com a LCS e o patrocínio da Coca-Cola". Opinião semelhante teve Ramiro Teodósio, representante da FTW. "Ainda existe uma visão retrógrada sobre os e-Sports. Continuamos com apoios mal atribuídos e formas de marketing demasiado tradicionais, sem aproveitar as grandes valências deste sector". Além disso, acrescenta, "existe um grave problema na profissionalização dos representantes das equipas. Este tipo de pessoas trazem mais problemas do que seriedade". Para ele, as soluções são simples: "Tem de haver mais componente empresarial e séria em todas as vertentes". Finalmente, António Lisboa, representante do LoL Portugal, sublinha que "Portugal é um país com falta de cultura de e-Sports". "Está preso ao passado e às estratégias monetárias já quase obsoletas. Por exemplo, nos países nórdicos, a postura é diferente, porque não olham para os videojogos como algo alienígena. Já perceberam a força e o seu impacto na sociedade." Quanto ao que é necessário mudar, Lisboa afirma que "tem de haver uma mudança de mentalidades de todos. É preciso maior interesse estratégico nesta área. Talvez a melhor solução a curto prazo, seja criar mais exposição nos meios de comunicação". Num pormenor, todos estes representantes parecem estar de acordo, há ainda muito por fazer.

 

Os e-sports em Portugal estão constantemente a crescer, mas parece faltar algo — um impulsionador que os traga para o lugar que merecem. Telmo Ferreira deixa uma pista: "Um dia, as produtoras de videojogos nacionais começaram a trabalhar em conjunto, a partilhar conteúdo e experiências. E isso mudou aquele sector. Não vejo nenhuma razão para que não aconteça o mesmo nos e-Sports. Todos teríamos a ganhar".

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