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Ivan Barroso

Ivan Barroso é historiador de videojogos, game designer, editor da revista Pushstart e professor de Game Production na Etic

O excerto

Neste momento ser “youtuber” para uns é um "hobby" vantajoso que serve perfeitamente para pagar as contas, enquanto outros já utilizam esta ocupação a tempo inteiro (nalguns casos a remuneração mensal é bem superior ao ordenado mínimo nacional). Em qualquer dos casos é obvio que estamos perante uma nova actividade que já está a mudar o nosso mundo.

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Crónica

Fénomeno Youtuber em Portugal: entre o "hobby" e a profissão

O “youtuber” mais popular é o utilizador conhecido como Fer0m0nas que detém mais de 2 milhões de subscritores

Texto de Ivan Barroso • 10/12/2014 - 12:39

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“Olá amiguinhos, com vocês Ricfazeres". E assim começa mais um episódio de Ricardo Fazeres, mais conhecido na internet como Ricfazeres. Um dos “youtubers” mais populares de Portugal, com mais de 120.000 subscritores no seu canal de youtube. Sem dúvida nenhuma, a industria do entretenimento, e especialmente a relacionada com os videojogos, explodiu no início do milénio.

 

A Internet deu, igualmente, um empurrão valente e, graças aos avanços tecnológicos, novas profissões têm surgido. Nesta englobam-se os “youtubers”, criadores de conteúdo audiovisual para massas. Uma espécie de programa televisivo, onde o comentador é o protagonista da acção e não um elemento externo.

 


É certo que o digital quase que atropelou o suporte físico e que muitas revistas ou jornais têm fechado. Mas, nesta nova fase, o artigo digital escrito está a ser ameaçado pelo conteúdo audiovisual. Basta ver que um só vídeo de um “youtuber” pode chegar às 20.000 visualizações em menos de uma hora. Num site de videojogos, um artigo escrito sobre o mesmo tema atinge esse valor numa semana ou num mês. 


 

Em Portugal, o “youtuber” mais popular é o utilizador conhecido como Fer0m0nas, que detém mais de 2 milhões de subscritores. Um número bastante respeitável. Obviamente, não está sozinho. Existem mais colegas de profissão espalhados pelo país. Dr. Remedy, D4rk Frame, Portuguestreet, PedroTim23, Tiagovski555 , entre muitos outros, são neste momento ídolos do público infantil e juvenil. No Lisboa Games Week as sessões de autógrafos duraram oito horas, sendo o tempo de espera na fila acima das duas horas.

 

Cada “youtuber” também se distingue pela sua forma de abordar os videojogos. A título de exemplo, António "Dark Fr4me" tem mais de 100.000 subscritores e especializou-se nos títulos de terror, algo que cunhou como "jogos para borrar a cueca". Na sua opinião, o maior desafio é “conseguir manter um público fiel. É bem mais complicado cativar aqueles que nos assistem hoje a voltar amanhã.”

 

Uma profissão nada fácil

Ao contrário do que se possa pensar, cada um destes protagonistas não tem uma vida fácil. Manter um canal vivo e com informação diária envolve mais de 8 horas diárias, tanto de gravação, como de edição. Longe das câmaras decorre a interação com os fãs. António, sempre que possível, tenta estar com estes nas redes sociais ou presente em eventos. RicFazeres tem uma postura semelhante: “É muito importante manter essa relação com os inscritos ou fãs, porque são eles que nos dão aquela energia para continuarmos com o nosso trabalho. Sem os fãs um canal de youtube não seria nada".

 

Quando a câmara está a gravar começa igualmente outro desafio social. RicFazeres conhece a sua responsabilidade e confessa que “tudo o que se diga ou se faça acaba por ser repetido pelos inscritos”, acrescentando: “Tento passar ao meu público os valores mais corretos com os quais fui educado. Defendo sempre a ideia que a escola é o mais importante nas suas vidas". 

 

Já para António, a sua relação com o público durante a gravação é igualmente importante e o seu objectivo é “entreter ao máximo" quem o acompanha. “Para isso", diz, “não basta apenas colocar conteúdo, também é muito importante ser uma pessoa carismática e divertida”.

 

Neste momento, ser “youtuber” é um "hobby" vantajoso que serve perfeitamente para pagar as contas de alguns, enquanto outros já utilizam esta ocupação a tempo inteiro (nalguns casos, a remuneração mensal é bem superior ao ordenado mínimo nacional). Em qualquer dos casos, é obvio que estamos perante uma nova actividade que já está a mudar o nosso mundo. O dos vídeojogos, pelo menos. 

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