Rui Gaudêncio

Lisboa

Verde é a Graça, da cor do limão

Foi uma espécie de evolução natural: depois de vários anos a vender limonadas no miradouro de Nossa Senhora do Monte, em Lisboa, Mónica Santos abriu “a loja” que muitos fregueses reclamavam

Texto de João Pedro Pincha • 14/08/2017 - 18:49

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Verdes são as janelas, da cor do limão. Passa-se uma vez à porta, de carro, e não se dá por haver ali nada de especial. Passa-se outra vez, agora já a pé, à sombra das grandes árvores, e lá se descobre, entre prédios feios martirizados por horríveis marquises, as janelas verdes. Talvez não sejam exactamente da cor do limão, como idealizou o poeta, mas a inspiração do sítio inspira-nos a estas liberdades artísticas.

 

Na Maria.Limão, só não cheira a limão. De resto há quase tudo: um limoeiro pintado na parede, a limonada em cima do balcão, até a dona do espaço tem uma túnica com limões. “É uma coisa tradicional portuguesa, toda a gente tinha um limoeiro no quintal.” Mónica Santos está cansada, mas feliz. Este bar perfumado a citrinos só abriu portas em Junho e a frequência da casa já dá motivos para sorrir. “Muitas famílias, turistas, pessoas do bairro”, resume a empresária.

 

O bairro é o da Graça, em Lisboa. A Maria.Limão nasceu a pouca distância daqui, no topo do miradouro de Nossa Senhora do Monte, há uns anos. Ainda não havia tantos turistas, nem tantos tuk-tuk, nem sequer a moda de vender comida e bebida em carrinhas pão de forma, lambretas e atrelados. Mónica Santos trabalhava em gestão aeroportuária, que não era a sua área de formação, e tinha o bichinho da cozinha a sussurrar-lhe ao ouvido. Além disso, tinha uma inusitada, mas assolapada, paixão por limões. “Bebo limonada todos os dias. Os efeitos do limão são muito positivos”, diz.

 

A Maria nasceu então sob a forma de uma banca de street food, que na Senhora do Monte sacia a sede com limonadas, caipirinhas, mojitos. “Os próprios portugueses começaram a conhecer o miradouro. Eu lembro-me de ser um sítio praticamente deserto. Mesmo muitas pessoas de Lisboa nunca lá tinham ido”, conta Mónica. Foram esses curiosos que motivaram o salto para outro espaço. “Estavam sempre a perguntar ‘Onde é que é a loja?’”, recorda. Pois, loja não havia.

 

Mas agora já há — numa das ruas mais pacatas da Graça, em frente à Escola Gil Vicente. Por estar “mais longe da confusão” do miradouro, Mónica acredita que este “pode ser um espaço tranquilo” para os moradores do bairro desfrutarem. Por outro lado, e em Setembro se verá, também se aposta que os alunos da escola venham a ser clientes.

 

Na carta, que ainda está a ser trabalhada, há muitas coisas que têm potencial para deixar os miúdos com água na boca. Miúdos e graúdos, sejamos francos. Há o batido de leite de coco e fruta do dia ou o de banana e manteiga de amendoim (a partir de dois euros), há iogurtes de soja (três euros), panquecas variadas (3,50 euros), papas de aveia. Há crepes, doces e salgados, que deram fama à banca do miradouro e que agora podem ser apreciados à mesa. “Sou um bocado agarrada a crepes”, admite Mónica Santos a rir-se, concordando que de crêperies está Lisboa cheia. “É um produto em que estou muito à vontade”, acrescenta, como que a dizer que não tem medo da concorrência. No Maria.Limão podem comer-se crepes de guacamole ou de húmus, entre outros mais clássicos (a partir de 4,50 euros).

 

Acresce a esta lista uma variedade de produtos sem lactose, tostas em pão integral (entre os 2,70 e os 4,50 euros), saladas e um brunch, servido todos os dias até às 16h. Custa 8 euros e traz iogurte, fruta, café e sumo, panquecas, uma tosta e salada. Há, obviamente, limonada caseira (1,50 euros por copo). Os limões e restantes produtos, garante Mónica, vêm do Mercado do Forno do Tijolo e de pequenos produtores, para que a Maria não seja saudável só para quem consome, mas também para a comunidade.

 

A Graça está mais verde, da cor do limão. Assim se mantenha a Maria no seu coração.

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