Culinária

“Nhom Nhom” são receitas para bebés que todos querem comer

Comida para bebés e crianças não tem que ser sinónimo de “purés e coisas cozidas sem sabor nenhum”. “Nhom Nhom”, livro de Joana Barrios, é um caderno com receitas daquelas caseiras e familiares. A 11 de Junho há “showcooking” na Feira do Livro de Lisboa

Texto de Ana Maria Henriques • 04/06/2017 - 17:09

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A hora do jantar aproximava-se e o cenário repetia-se muitas vezes: a partir das 18 horas, o telemóvel de Joana Barrios tocava e tocava, avisos de mensagens no WhatsApp sem piedade. “Que azáfama de mensagens é esta, a esta hora?”, perguntava o marido. Era Joana a prestar “uma espécie de assistência à refeição”, com receitas enviadas por mensagem para salvar amigas e conhecidas à beira de um ataque de nervos, sem ideias para o jantar dos filhos. “Então e porque é que não juntas essas receitas todas e fazes um livro? Se calhar, para além das tuas amigas, há mais a precisar.” Estava servido o Nhom Nhom, o livro com “comida para crianças que todos vão querer comer”.

 

Joana, alentejana de 31 anos, não aprendeu a cozinhar para alimentar Mercedes, a filha mais velha. Adaptou, isso sim, aquilo que já sabia para essa nova tarefa. Teve “todas as dúvidas, como qualquer mãe ou pai”, faz questão de sublinhar em entrevista do P3, quando Mercedes, agora com dois anos, passou dos alimentos líquidos aos sólidos — e o pediatra respondeu a muitas. Joana e Carlos Pinto, que assina as fotografias deste novo livro, são também pais de Álvaro, com poucas semanas de vida, e a comida não ocupa um lugar secundário nas suas vidas. “O que está no Nhom Nhom é o que cozinho cá em casa”, resume a jovem autora, que dividiu o livro em seis capítulos: as primeiras e as segundas coisas que ela [Mercedes] comeu, carninha, peixinho, nem carne nem peixe e lanches.

 

E o que é que Joana cozinha para a família, tal e qual aparece nas páginas do livro? Sopa clássica de nabiça e sopa castanha (o “prog rock das sopinhas”, como lhes chama no capítulo dedicado), ensopado de borrego, jardineira, empadão ou salsichas frescas com couve-lombarda. Tudo “receitas de mãe”, daquelas bem caseiras, e adaptadas a bebés e crianças pequenas. “Nem tudo na vida são purés e coisas cozidas sem sabor nenhum. Tu comias isso? É que eu não. E não me admiro que os miúdos também não comam. Ninguém merece!”

 

É por isso que nas 180 páginas deste livro de receitas com ingredientes clássicos há sopa e massinha de peixe, açorda de bacalhau e migas de tomate, não tivesse nascido Joana em Beja. “Migas, ensopado de borrego e açorda: vivia muito bem só com essas três coisas”, admite a blogger por detrás do Trashédia. A também figurinista do Teatro Praga — “a minha companhia fetiche” — e co-apresentadora, com Rui Pêgo, do programa Super Swing, no Canal Q, cresceu em cozinhas, divisões “com belíssimas memórias”. No fundo, diz, “comer é fixe” e o Nhom Nhom nasceu também “porque a alimentação perdeu muito espaço na lógica do quotidiano”. Há uma “ideia meio estranha de que o cozinhar é uma tarefa de subjugação da mulher a um papel arcaico que já não ocupa em sociedade”.

 

“Eu percebo mas, ao mesmo tempo, também não percebo porque não me enquadro aí. Sempre cozinhei e acho que cozinhar é uma das melhores formas de veicular independência e identidade.” Para quem não gosta de comida descongelada — “dá-me assim pena, nunca sabe à mesma coisa” — e odeia latas desde sempre, cozinhar diariamente é uma tarefa que assume. “Gosto, dou-me bem, sou rápida e, por isso, quem brilha ao fogão sou eu. (…) não há mesmo nada mais divertido do que os sorrisos pós-papa que vejo nos rostos que costumam vir cá a casa.”

 

No domingo, 11 de Junho, Joana vai estar na Feira do Livro de Lisboa para um showcooking com as receitas de Nhom Nhom, editado pela Arte Plural, a partir das 17h40. “Não fica nada no prato!”

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