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Bar aberto

Espaço 77: nova cara, tudo em família

O "77" sofreu uma remodelação, mas é o mesmo de sempre. Assinala este sábado o 23.º aniversário, que será celebrado na segunda-feira com "uma grande festa" — é que foi ultrapassada a barreira do meio milhão de minis vendidas em 2016. Campeão não engana

Texto de Amanda Ribeiro • 31/03/2017 - 16:46

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Atravessar a Travessa de Cedofeita, no Porto, numa sexta-feira ou num sábado de madrugada pode ser uma aventura para o noctívago menos acautelado, sobretudo se estiver bom tempo. É certo e sabido que algures a meio da rua haverá um pequeno magote de gente a amparar, com alguns dotes de malabarismo, copos de cerveja, rissóis e panikes, quando não há algures uma guitarra a juntar-se à festa.

 

Se ainda tiveres dúvidas sobre onde fica o Espaço 77, basta seguir a multidão, aquela que entra e sai carregadíssima do n.º 22. Lá dentro, cá dentro, mantém-se a roda-vida de comidas e bebidas — respeitinho que estamos perante o campeão nacional de venda de minis — mas a decoração é nova e moderna. Há um longo balcão em madeira com vitrinas onde se dispõem os petiscos, uma sala refrigerada atrás onde cabem 280 grades, um candeeiro com ares de instalação. As casas de banho mudaram de sítio e já não metem água, os matraquilhos têm cara nova, a esplanada ganhou um balcão e há uma máquina para jogar setas. “Aqui batem-se recordes...”, lê-se numa parede, onde estão expostos os resultados do hexacampeonato; outra foi decorada com grades de cerveja Super Bock; outra ainda transformou-se numa espécie de mural com dedicatórias. É um novo “77”, mas é o mesmo de sempre, garante Henrique Rebelo, de 48 anos, um dos proprietários do espaço que sábado, 1 de Abril, celebra 23 primaveras.

 

O “77” abriu de cara lavada e horário alargado a 16 de Fevereiro, depois de um mês em remodelação. Foi a primeira vez, em mais de duas décadas de actividade, que fechou. “O meu pai vinha cá todos os dias ver as obras”, conta Henrique. É que este é um “negócio de família” e é parte da linhagem que se acotovela por detrás do balcão. Ali vemos os pais, Henrique e Eugénia Rebelo, e os filhos, Henrique e Eugénia Rebelo (lá em casa, assegura-nos o nosso interlocutor, o uso de diminutivos elimina as confusões — do Henrique ao Rique até ao Enriquinho, o sobrinho). A cara mais popular ao balcão é provavelmente Vitorino, seu tio, o brincalhão que vai lançando um ou outro “miau” em forma de galanteio; e na cozinha está a tia. Será esta proximidade, para além dos preços baixos, o segredo do sucesso? “As pessoas voltam e acho que é pelo balcão. Eu sempre que vou a uma casa, se as pessoas são atenciosas, vou outra vez; senão vou a outro lado. Temos de ser simpáticos e brincalhões.”

 

Uma “afinidade” que, diz Henrique, se estende aos clientes e ajuda a contar a história do projecto de remodelação. De há uns tempos para cá, muitos grupos de BTT fizeram do Espaço 77 um ponto de paragem obrigatório, quem sabe se atrás do Menu Bifana (2,20€ por uma mini e uma bifana, “a melhor do Porto”). De tal maneira que no chão do renovado “77” existe um autocolante com a inscrição Bike Friendly. Ora, das várias propostas de renovação recebidas, foi escolhida precisamente a da empresa de um desses ciclistas, a Eighteen Home Design. “Era o projecto mais consistente”, elogia Henrique, com uma pitada de orgulho, enquanto passa a mão por uma das novas mesas de madeira. “Os bancos e as mesas rústicas fui eu [que escolhi], gosto muito, são resistentes.”

 

De “café de vícios” a recordista nacional

Desengane-se quem pensa que uma remodelação implica um aumento de preços: as minis continuam a 50 cêntimos, os rissóis a um euro, os panikes entre 1,10 e 2,50 euros (as pizzas). “Os estrangeiros riem-se”, diz Henrique. E hoje em dia, tal como em toda a Baixa do Porto, os turistas, bem como os estudantes em Erasmus, representam cada vez mais uma fatia considerável da clientela. Razão pela qual toda a gente que trabalha no balcão “arranha o inglês”, com excepção dos pais de Henrique.

 

“Vamo-nos adaptando”, repete o responsável, fazendo a retrospectiva da história do “77”. Se há 23 anos este era um “café de vícios”, com licença de jogos de cartas, hoje vive para os jovens, que o ajudam a bater recordes todos os anos, todos os dias: “Em noites boas, chegamos a vender três mil minis”. Em 2015, foram 455 mil no total; em 2016, já se sabe, foi ultrapassada a barreira do meio milhão. Os resultados vão ser revelados oficialmente na próxima segunda-feira, 3 de Abril, na celebração do 23.º aniversário. “Vai ser uma grande festa”, diz Henrique. E inclui o habitual bar aberto de cerveja das 22h à meia-noite. Quem avisa...  

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