Emprego

Há uma fábrica de cerveja quase a abrir portas no centro do Porto

Espaço vai ter agregado um restaurante, um bar e uma loja e irá criar entre 50 e 60 postos de trabalho

Texto de Patrícia Carvalho • 07/03/2017 - 11:50

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As cubas ainda reluzem de novas e os sacos com matéria-prima com o nome da cidade alemã Bamberg aguardam, empilhados, para começarem a ser usados, mas, curiosamente, na Fábrica de Cervejas Portuense já se sente o cheiro característico dos locais de produção da bebida favorita de muitos milhões de pessoas. A cerca de um mês do lançamento oficial desta cerveja feita no Porto, pensada para os portuenses, e que, segundo a mestre cervejeira responsável pela sua criação, Diana Canas, “é a melhor que há”, a fábrica está quase pronta.

 

O projecto foi apresentado no Verão do ano passado e a perspectiva era que a produção começasse ainda em Dezembro de 2016, mas a reabilitação do prédio com frentes para a Rua de Sá da Bandeira e para a Rua do Ateneu Comercial do Porto demorou um pouco mais do que o previsto. Neste momento, a fábrica está praticamente pronta, mas ainda há muito para fazer nos pisos superiores do edifício alugado pelos empreendedores, e onde ficará instalada a loja, o bar e o restaurante do projecto. O investimento apontado por Tiago Talone e Pedro Mota – e que está a ser concretizado graças à entrada no projecto de cerca de uma dúzia de investidores – é de três milhões de euros.

 

Os dois querem guardar segredo do nome da cerveja que será produzida na FCP (não confundir, ou talvez sim, com o FC Porto, que tem a mesma sigla) e o desenho do rótulo também continua guardado a sete chaves, mas Tiago Talone revela que as cores predominantes serão o azul e amarelo. Cores que “rompem com o padrão cervejeiro português, muito voltado para os vermelhos e os negros, mas que vão buscar cores internacionais do sector cervejeiro”, explica. O resto, diz, é uma cerveja que espera introduzir no Porto e no Norte um conceito ainda pouco implementado por cá. O da “micro-cervejeira”.

 

Diana conhece-o bem. Foi na Alemanha que fez a formação que lhe permitiu tornar-se mestre cervejeira e na Alemanha, diz Tiago, as pequenas cervejeiras “representam mais de metade do mercado”. Cidades como Bamberg, de onde vem parte da matéria-prima que será usada na cerveja produzida no Porto, ou Munique, têm uma miríade de restaurantes que produzem a sua própria cerveja. Por cá, o conceito ainda é quase desconhecido, mas Tiago, Pedro e Diana querem que os diferentes tipos de cerveja que serão criados na FCP sejam o ponto de partida para um espaço desse género na cidade.

 

O prédio vai ser o local de trabalho de cerca de 50 a 60 funcionários e a produção estimada por ano é de dois milhões de litros – muito longe da produção das grandes marcas nacionais, com quem Pedro garante “não concorrerem” ou das várias marcas de cerveja artesanal que têm surgido no país e que o investidor diz não conseguirem ir além dos “200 mil litros por ano”.

 

O novo produto vai ser servido no bar e no restaurante da fábrica – havendo um piso que pode ser usado para eventos especiais, com degustação de várias cervejas e o acompanhamento experiente da mestre-cervejeira -, mas a intenção é colocá-lo também nos restaurantes e bares de toda a região Norte, através da venda directa dos produtores, sem intermediários.

 

Os promotores da FCP encontraram o local ideal para a sua instalação graças ao apoio da Câmara do Porto e da InvestPorto, serviço que estava ainda a ser criado, quando Tiago e Pedro apresentaram o projecto à autarquia. “Tinha que ser no centro, perto de onde está o movimento”, diz Tiago Talone. O prédio tinha essa vantagem e outra – duas frentes, o que permite separar a área logística da dedicada ao público, e estacionamento muito perto.

 

Diana, que se diz uma “apaixonada” pelo mundo da cerveja e ter aceitado o convite para se juntar ao projecto que lhe permitia criar uma bebida portuense desde o zero “sem pensar duas vezes”, abre o apetite para a cerveja que aí vem. “Consegue-se sentir as matérias-primas, foi tudo pensado e direccionado para as pessoas do Porto”. E a que é que isso sabe? Lá para o final deste mês pode ser que o consiga provar.

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