Evento

O Porto vai andar três dias de copo na mão

Essência do Vinho com mais de três mil vinhos de 350 produtores no Palácio da Bolsa. Mais abaixo, no Cais Novo, 84 vignerons, alguns chefs e um punhado de artistas fazem a festa associando vinhos, arte e gastronomia. É o “simplesmente… Vinho”

Texto de José Augusto Moreira • 24/02/2017 - 16:50

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É uma autêntica orgia vínica que arranca já nesta sexta-feira. Para amantes, curiosos, iniciados, ou também aqueles que são profissionalmente obrigados, o Porto é neste fim-de-semana o lugar mais importante do mundo do vinho. Em espaços vizinhos e à beira Douro, dois eventos, simultâneos e alternativos, concentram mais de quatro mil vinhos e para lá de uma centena de iniciativas associadas à prova e degustação. De todo o tipo de vinhos e das mais variadas regiões, incluindo algumas espanholas e do Brasil.

 

Há 14 anos que a Essência do Vinho é um marco no calendário português do vinho, um encontro que faz o Palácio da Bolsa rebentar pelas costuras, mas também pelo quinto ano consecutivo que “o simplesmente… Vinho” assume o papel de salão off, com vinhos e produtores alternativos.

 

É na Essência que se concentram as grandes marcas, os vinhos mais mediáticos e de consumo com escala comercial. Este é o grande evento do vinho, e foi, precisamente, para criar um espaço e contexto alternativo que João Roseira e outros românticos do vinho se lançaram na organização de um salão off. Com vinhos, propósitos e ambiente alternativo, a que chamaram “simplesmente… Vinho”, assim, com a inicial minúscula, como fazem questão de sublinhar.

 

“Não inventámos nada, simplesmente recriámos em Portugal o que já existe lá fora. Na verdade, nas últimas décadas, como contraponto à globalização e industrialização do vinho, grupos de produtores têm vindo a organizar mostras alternativas às grandes feiras do vinho”, explicam os vignerons que se juntam hoje e amanhã, no Cais Novo, logo a seguir ao edifício da Alfândega. De resto, é isso que acontece com a Vinexpo, em Bordéus, a Vinitaly, em Verona, ou a Prowein, em Dusseldorf. Com o “simplesmente…” acabam também por pôr em evidência que a Essência é outros dos acontecimentos maiores no calendário internacional do vinho.

 

Com os 84 vignerons presentes no Cais Novo estarão representadas todas as regiões portuguesas e também boa parte das de Espanha. Da Robeira Sacra a Jumilla, do Bierzo à Ribera del Duero passando por Toro, La Mancha e as Rias Baixas. Vinhos naturais, biológicos e biodinâmicos, umas centenas de brancos, laranjas, palhetes, rosés, tintos, secos e doces, novos e velhos, conhecidos e novidades. “Vinhos que querem simplesmente... ser só vinho. Bebido, sentido e partilhado”, como enfatizam os organizadores.

 

Casas como Aphros e Covela (Vinhos Verdes); Arcossó (Trás-os-Montes); Quinta do Infantado, Maritávora, Mapa, Quinta do sagrado ou Quinta do Pôpa (Douro); Nieporrt, Bageiras, Luis e Filipa Pato, Saima ou Abibes (Bairrada); Pellada, António Madeira, Druida, Lagar de darei ou Casa de Mouraz (Dão); Quinta do Mouro, Arrepiado velho (Alentejo).

 

De Colares, Lisboa, Tejo, Setúbal, Algarve, Madeira e Açores, todas a regiões estão presentes no “simplesmente…” com vinhos de identidade e terroir, sendo que em alguns casos marcam também presença no Palácio da Bolsa com os seus vinhos mais vocacionados para o giro comercial.

 

Arte e vinho em leilão solidário

Aos vignerons, no Cais Novo juntam-se meia-dúzia de conhecidas cozinhas – Delicatum, DOP/Rui Paula, Chef Ricardo, Está-se Bem, Shiko, Forneria S. Pedro e Carvão - com petiscos que ajudam a valorizar os vinhos em prova. Como o ambiente se quer de festa, as noites de hoje e amanhã encerram com concertos. Duas bandas do Porto, We Are Mean Chick (sexta) e André Indiana (sábado).

 

Outra das características que fazem a diferença no “simplesmente…” é o seu já habitual envolvimento artístico. A par das provas, o espaço funciona também como galeria de arte, uma exposição com curadoria de Carlos Paiva que, tal como os vinhos, tem vindo também a crescer em quantidade e qualidade.

 

A novidade deste ano é que vai haver (sábado, 11h30/15h) um original leilão de arte e vinhos, cujas receitas se destinam a fins solidários. São mais de oitenta lotes, todos juntando obras de arte e vinhos, que vão ser licitadas enquanto é servido um brunch. As receitas são para o Projecto Raiz, que apoia crianças e famílias da freguesia de Ramalde, no Porto, e para o Centro de Documentação das Alternativas Dr. Jean-Claude Rodet, a inaugurar em breve em Idanha-a-Nova.

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