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"Call Girl"

"Call Girl" MGN Filmes

"A Cela"

"A Cela" New Line Cinema

Cena inicial de "Beleza Americana"

A famosa tarte do "American Pie"

Filmes analisados

"Beleza Americana" (1999)

"Aquele Querido Mês de Agosto" (2008)

"Seinfeld" - "O Concurso" (1992)

"Doidos por Mary" (1998)

"Sexo e a Cidade" - "A Tartaruga e a Lebre" (1998)

"Psycho" (1998)

"A Cela" (1999)

"American Pie" (1999)

"Inadaptado" (2002)

"O Delfim" (2002)

"A Lula e a Baleia" (2005)

"Weeds" - "O Último Tango em Agrestic" (2006)

"Call Girl" (2007)

"Beleza Americana"

Beleza Americana

Sexo

Só os loucos é que se masturbam? Este é o “último tabu sexual”

No cinema, só se masturbam adultos desenquadrados, jovens imaturos ou loucos (ou loucas). A antropóloga Rita Alcaire defende uma valorização positiva desta prática "natural e universal"

Texto de Amanda Ribeiro • 06/01/2012 - 23:03

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Já chegámos à conclusão que o sexo está a ficar democrático e que a religião não é sinónimo de inibição. O que não sabíamos é que a masturbação pode ser o "último tabu sexual", o único que parece ainda não ter sido derrubado.

 

A conclusão é da antropóloga Rita Alcaire, que, na sua tese de mestrado em Psiquiatria Cultural, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, estudou as representações da masturbação na televisão e no cinema "mainstream". O estudo, inédito em Portugal, dá conta que o tema, apesar de estar cada vez mais presente na indústria audiovisual, "não é representado de uma maneira positiva".

 

No cinema "ninguém se masturba porque quer", refere, em entrevista ao P3, a investigadora. As personagens estão quase sempre associadas a estereótipos negativos e assim promovem a condenação de uma prática "natural e universal".

 

O desenquadrado, o imaturo e a louca 

Rita Alcaire detectou três grandes padrões no cinema: "o adulto que se masturba porque tem problemas" e procura prazer para alcançar "um lugar no mundo", comportamento cujo exemplo paradigmático é Lester Burnham em "Beleza Americana"; o jovem, que por "não ter grande experiência sexual", recorre a esta prática (Quem não se lembra do Jim de "American Pie"?) ; e o louco, que pratica uma sexualidade perversa associada a um "pendor criminoso e assasino", como é o caso de Carl Stargher em "A Cela".

 

É também nesta última categoria que se costumam enquadrar as poucas mulheres que se masturbam. "Pelos vistos, a masturbação feminina é perigosa. Elas nunca estão bem, aparecem associadas à loucura", diz Rita, referindo as "masturbadoras femininas" de filmes como "Jovem Procura Companheira", "Um Olhar Obsessivo" e "Mulholland Drive". "Nas três narrativas, estas mulheres surgem como incapazes de formar relações com outras pessoas de forma profunda" e acabam por querer matar os seus amantes, escreve a investigadora na sua tese.

 

A masturbação deveria ser "ecléctica"

Dos 13 filmes analisados (ver coluna à esquerda), três são portugueses. A escolha recaiu em "Aquele Querido Mês de Agosto", "O Delfim" e "Call Girl", que apresenta mais uma "mulher manipuladora". Rita reconhece que foi "difícil" encontrar exemplos nacionais.

 

"Em Portugal, a masturbação está ainda menos representada e de forma menos explícita", concluiu a investigadora, que acredita que o "aumento da produção de telefilmes" generalize e normalize o tema.

 

"Daqui a uns anos vai mudar", prevê a antropóloga, dando como exemplo as relações homossexuais, cada vez mais presentes e encaradas de uma forma natural na indústria audiovisual. Aliás, o "Cisne Negro", curiosamente o primeiro filme que Rita viu após a entrega da tese, já a retrata de uma forma diferente.

 

E como será que num mundo ideal, sem tabus ou preconceitos, a masturbação deveria ser apresentada? Como é na realidade, afirma Rita. "Não fazer disso uma bandeira." Encará-la como uma prática "aceitável", "associada a pessoas diferentes", a mulheres e homens comuns. Ecléctica? "Sim. Uma masturbação ecléctica."

Comentários

    André Raposo (não registado)

    17/01/2012 - 13:59

    É sempre bom ver na sociedade portuguesa desbravar novos territórios, no que se incluem infelizmente ainda todos os tabus relacionados com o sexo. Por isso, foi pena que a análise se tenha limitado aos filmes referidos à margem e não tenha, por exemplo, contemplado filmes como "Sliver - Violação da Privacidade" (1993) que contém uma célebre cena explícita de masturbação feminina (na banheira) protagonizada pela actriz Sharon Stone. Não creio que esta integre qualquer das categorias e conclusões do estudo, já que é visto como algo corrente na vida diária das pessoas como acto de prazer próprio, e não associada a qualquer perversão - do louco que se masturba, do adulto desenquadrado e do jovem imaturo. Aí o problema é outro e centra-se na violação da privacidade, na perspectiva de alguém que espia um terceiro. Mas não deixa de mostrar a masturbação como algo dito normal.

    Lisa P. (não registado)

    07/01/2012 - 19:17

    Não descurando o trabalho da Sra, só me quer parecer que o estudo cinematogáfico que fez foi limitado. Há que ir atrás e ao largo para ver outras épocas e abordagens , dou o exemplo de "haute tension" no cinema ou de " the clinic" na tv para mostrar que esse desenquadramento não é necessariamente assim. Sobretudo porque quando falamos de suposta comédia fácil como "american pie" há situaçoes que têm de ser geradas pelo exagero e pouco racionalismo. é um base para um excelente estudo que poderia voltar aos textos da época da juventude de Jesus mas se se ficar por este resumo, lamento mas parece-me limitado.

    Manuel Alves

    07/01/2012 - 00:19

    “Masturbação ecléctica”? É para já (em três passos simples). Google – escrever “porn” – seleccionar qualquer um dos resultados listados na primeira página de procura. Voilà! E se alguém não ficar satisfeito/a com tamanho eclectismo é porque, provavelmente, lhe falta imaginação/despudor/o que mais seja para tirar partido das combinações virtualmente ilimitadas da pornografia gratuita (gratuita no sentido de ser grátis, e não no sentido de ser despropositada… quem achar que é despropositada não tem nada que andar a enfiar os queixos, nem sequer metaforicamente). Termino com um ahah sarcástico.

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