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Espatódea: negócios que cabem em centímetros quadrados

Nesta loja de Coimbra, cada criador (e são muitos) tem a oportunidade de ser um micro empreendedor. São todos parceiros e competem por um "spot" no espaço

Texto de Cristina Freitas • 16/06/2012 - 11:48

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Quando Alline Oliveira, de 26 anos, fala sobre o seu projecto, o pronome “nós” é constante. Isto porque a sua loja é a loja de muitos criadores. A Espatódea – Loja Colaborativa, situada em Coimbra, é um espaço com micro-lojas, onde cada uma cabe, por exemplo, num baú, numa mão cheia de cabides, numa prateleira ou num cubo com dimensões 30cmx60cm. Por outras palavras: a cada pequeno espaço, o seu negócio.

 

O conceito pode ser embrionário em Portugal mas no Brasil, de onde Alline vem, é um modelo de negócio muito usado. Depois de se licenciar em Turismo, fazer uma pós-graduação em Gestão Hoteleira e andar à deriva entre estágios e trabalhos temporários e precários, que apesar de tudo lhe valeram as competências necessárias para abrir a Espatódea, achou que precisava de fazer “alguma coisa para mudar de vida”.

 

Uma sua amiga de infância tinha uma loja “com o mesmo espírito" e daí veio a ideia que a fez juntar as suas economias e apostar nesta ideia “principalmente porque acreditava que encaixaria bem no cenário” português, explicou a jovem empreendedora.

 

Nunca se considerou uma artista mas diz que “há quem faça arte e há quem tenha um dom, esses são os verdadeiros artistas”. É a estes criadores, de qualquer coisa excepto produtos alimentares, que a loja se destina. Para já, reúne cerca de 60 parceiros – nome dado a quem expõe os seus artigos neste estabelecimento –, que enchem o espaço de bijutaria, artesanato urbano, roupinhas para bebés e outras variedades que tenham em comum a criatividade destes artistas e micro-empreendedores.

 

A loja assume a publicidade do estabelecimento, e de cada marca parceira e não cobra comissões sobre as vendas. A maior preocupação é, segundo Alline, “criar fãs verdadeiros para a maioria das marcas que estão connosco”.

 

O freguês é que sabe (e escolhe)

Não há espaço sem senão. Depois de um artista alugar o seu “spot” na loja, terá que cumprir um valor limite de vendas, que corresponde ao montante do aluguer do espaço, para se manter como parceiro da Espatódea. Desta maneira, o cliente, ao comprar o trabalho de um artista em detrimento do de outro, acaba por definir quem fica e quem sai.

 

Clima competitivo? Alline preferirá a palavra “interessante” porque acha que o conceito se traduz num “enorme esforço para mostrarem [os artistas] o que fazem de melhor, para descobrirem onde podem diferenciar-se no meio de tantas outras micro-lojas e isso gera um dinamismo fantástico nosso espaço”.

 

Depois de ser convidada por Alline e ter o seu espaço na Espatódea, Sónia Oliveira, costureira modelista e criadora de Linhas Arrojadas, pensou tanto nas oportunidades que poderiam surgir como se preocupou com o retorno “relativamente ao investimento mensal” mas diz que “é necessário arriscar”.

 

Falando sobre a grande quantidade criadores num único espaço, diz que as relações “são amigáveis” porque a Espatódea traz criadores de peças diferentes “e que não se rivalizam”. Além dos pequenos negócios em pequenos espaços, há ateliers e workshops que são também orientados pelos parceiros da loja. É “uma maneira de se aproximarem dos clientes, darem a conhecer seu trabalho e rentabilizar o seu negócio” e, entretanto, o cliente aprende. Há cursos fixos de biscuit (porcelana fria) e costura.

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