Design

A sola deste sapato é feita com pastilha elástica

E se em vez de continuarmos a atirar as pastilhas elásticas para o chão, começássemos a reciclá-las? É esta a missão da designer Anna Bullus: dar uma nova vida às chicletes nas solas dos sapatos

Texto de Ana Jorge Teixeira • 23/03/2018 - 17:27

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A seguir às beatas dos cigarros, as pastilhas elásticas são o segundo tipo de resíduos que mais frequentemente são atirados para o chão. No Reino Unido, as cidades gastam quase 70 milhões de euros anualmente para as remover das ruas. A designer Anna Bullus quer contrariar a tendência e dar uma nova vida às pastilhas, através da reutilização.

 

A ideia de reciclar e transformar os resíduos que encontrava pelo caminho começou quando estudava na Universidade de Brighton. Examinou diferentes amostras de resíduos, como pacotes de batatas fritas ou as beatas dos cigarros, e tentou descobrir que elementos poderiam ser reciclados. "Como designer, fiquei surpreendida com o facto de nada estar a ser feito para reciclar pastilha elástica", disse Anna, em entrevista à BBC.

 

Foi depois de uma análise à composição do resíduo que descobriu qual o ingrediente principal das pastilhas elásticas. "Chama-se poliisobutileno, o mesmo material que encontramos nas câmaras de ar dos pneus das bicicletas." As pastilhas têm substâncias sintéticas, um tipo de polímero com aplicações semelhantes ao plástico.

 

Para conseguir fazer a recolha das chicletes, Anna criou um caixote de lixo especial, os "pastilhões". Criados a partir do material reciclado, foram colocados por zonas estratégicas do Reino Unido como as universidades, estações de caminhos-de-ferro ou no aeroporto de Heathrow. Lápis, tupperwares, galochas ou até mesmo palhetas são alguns exemplos de outros produtos à venda na Gumdrop Ltd, a empresa criada pela designer. E todos pensados com o mesmo propósito: reutilizar as pastilhas elásticas.

 

Também em Portugal já existem projectos para a reutilização de pastilhas. Em 2016 foi criado o "Papa-Chicletes", em Guimarães, um recipiente para depositar os resíduos. Os resultados positivos fizeram com que os "Papa-Chicletes" fossem adoptados em municípios como Cascais, Santarém, Estarreja ou Funchal.

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