Miguel Constantin Montes/Unsplash

Crónica

O meu dicionário de moda: Metrossexual e Nude

Não esperem encontrar por aqui o mais rigoroso dos dicionários de moda

Texto de Marta Moura • 04/07/2017 - 10:34

Marta Moura, jurista e autora do blogue fashiONoir

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Metrossexual

Expressão surgida nos anos 90 para definir os homens extremamente preocupados com a sua aparência, que frequentam salões de beleza, utilizam cosméticos e seguem as tendências de moda. O termo resulta da junção das palavras metropolitano e sexual, porque este foi um movimento que surgiu nas cidades. David Beckham é considerado "O" metrossexual, encaixando-se também nesta categoria o "nosso" Cristiano Rônaldo (Ronaldo não leva acento circunflexo, mas como toda a gente decidiu tratá-lo assim, mais vale escrever em consonância).

 

Se bem me lembro, esta foi a primeira expressão a ser utilizada para definir um determinado tipo de homem – com características e preocupações até então consideradas exclusivas do universo feminino – mas, a partir daí começaram a surgir rótulos masculinos como se não houvesse amanhã.

 

Retrossexual é o homem viril que mantém um estilo clássico e algo conservador mas rejeita comportamentos grosseiros e machistas. Perde pouco tempo a fazer compras e os únicos acessórios que usa são o relógio e o cinto. São retrossexuais Hugh Laurie ou Russell Crowe.

 

A meio caminho entre o metrossexual e o retrossexual está o ubersexual, que é aquele que, apesar de ter cuidados com a imagem e um estilo moderno, não é narcisista ou egocêntrico, mas sim sensível, um companheiro dedicado, ou seja, o verdadeiro gentleman. Brad Pitt, Ewan McGregor ou George Clooney são os exemplos perfeitos.

 

Já o lumbersexual é um homem a quem não falta sex appeal (numa tradução literal significa lenhador sexy), que usa somente produtos de higiene básicos e não tem grandes preocupações com a imagem: calças de ganga, camisa xadrez, barba e cabelo despenteado compõem a sua farda oficial. São lumbersexuais Ryan Gosling ou Hugh Jackman.

 

O tecnossexual é o fã do mundo tecnológico, sempre a par das últimas novidades, presente nas redes sociais, mas com características de metrossexual (distanciando-se, por isso, da imagem do típico nerd). Daniel Radcliffe é o representante do tipo.

 

Há mais rótulos para definir tipos de homens mas estes são, talvez, os mais expressivos. E embora não sejam poucos, falham pela superficialidade conceptual e pela diminuta aplicação prática.

 

Vejamos: a mim dava-me jeito um metrossexual nos momentos em que aplico máscaras ou pinto as unhas (para não me lixarem a cabeça por causa das "coisas de gaja" que faço com bastante frequência), um retrossexual para ir às compras (há que contrabalançar, porque para demorar horas nisso já basto eu), um ubersexual para apresentar à família (e meter nojo ao mulherio em geral), um lumbersexual para os momentos de intimidade (não é preciso explicar, certo?) e um tecnossexual para colmatar a minha inaptidão natural para as tecnologias. Se conhecerem alguém que reúna as características é favor falar desta jóia de moça que, apesar de (bem) comprometida, está aberta ao desconhecido, que uma pessoa não pode ter os horizontes limitados.

 

Se ele for ainda gourmetsexual (e me prepare brunches de hotel com um sorriso no rosto) e massagistosexual (sem exigências de reciprocidade) estou disponível para entrevista profissional de seleção, antecedida de ponderada avaliação curricular.

 

Nude

Em inglês significa nu e tem o sentido de "cor de pele", variando entre tons que vão desde os beges bem claros até aos rosados e caramelos.

 

Surgiu como tendência no final de 2008 e continua a usar-se, porque é uma cor bonita, discreta e que liga bem com tudo, digo eu, que sou fã assumida, não só nas roupas e acessórios como na maquilhagem e nos vernizes.

 

Nos dias de hoje, face a um fenómeno que se apoderou da sociedade, o nude-cor foi ultrapassado por outro nude, o que se refere a nude selfie, ou seja, o envio de fotos de nus (total ou em frações) via redes sociais.

 

Sobre isso tenho a dizer que é uma prática que me causa muita confusão, principalmente pela facilidade com que se envia fotos íntimas a outras pessoas que, grande parte das vezes, são perfeitamente desconhecidas. Se calhar sou eu que estou ultrapassada, mas não consigo perceber.

 

Onde é que fica uma das fases mais bonitas e interessantes de uma relação ou de um flirt chamada sedução, ah?

 

Quando me inscrevi no Tinder, troquei mensagens durante uns dias com um gajo com quem fiz match porque o perfil dele era muito interessante, de alguém visivelmente inteligente e com humor. Andávamos à conversa há três ou quatro dias quando ele me disse que ia colocar uma foto de perfil temporária que gostava de me mostrar. Ok, pensei, vai colocar uma foto da sua cara, já que não tinha nenhuma. Pois... às vezes sou tão ingénua. Era uma foto dele, apenas com um avental, tirada de trás, o que permitia ver um pouco das costas, um pouco das pernas e o rabo, em todo o seu esplendor. Ainda por cima um rabo com estrias, não se admite.

 

Disse-lhe que não estava à espera daquela foto e que tinha sido um momento muito constrangedor, porque não o conhecia nem lhe dei a entender, em momento algum, que me poderia mostrar fotos de como veio ao mundo, ainda que disfarçado de cozinheira de trazer por casa.

 

O rapaz pediu imensa desculpa, que não tinha sido sua intenção ser deselegante (really?), que o fez como amigo (really 2?), patati patata. No dia seguinte escreveu-me uma mensagem a dizer que sentia que algo se tinha quebrado entre nós. Claro, a nossa relação forte que nem uma muralha estava irremediavelmente destroçada.

 

No dia seguinte bloqueei-o e imagino como possível que o rapaz ainda ande por aí a mostrar semi-nudes às meninas. Se for o caso e se, por uma grande improbabilidade do destino, lhe calhar ler esta crónica, deixo aqui uma dica de ouro: dizem que Bio-Oil faz milagres nas estrias. Porque se é para mostrar o rabo, convém que ele esteja com um aspeto saudável e hidratado.

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