Fotografia de rua que te fará olhar duas vezes

autoria Ana Marques Maia

// data 27/10/2017 - 08:46

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Terás de olhar duas vezes se quiseres compreender a fotografia de rua do catalão Pau Buscató; é que ele retrata as grandes metrópoles do mundo "como uma criança joga um jogo", explicou ao P3, em entrevista por email. "Quando uma criança está compenetrada, tem tendência a levar o jogo muito a sério. O resto do mundo deixa de existir e cada objecto que se cruza consigo é incorporado de forma coerente com a lógica do universo que criou." O seu processo é muito semelhante. "Encaro as cenas do quotidiano da cidade como ponto de partida; projecto sobre elas uma teia de ideias que me ajuda a transformá-las em algo significante no terreno da minha imaginação." A sobreposição de elementos, os jogos de perspectiva e de associação cromática são constantes na fotografia do catalão e é através desses artifícios visuais que, dentro das imagens que capta, produz novas realidades e significados. Encontrar fortuitamente a conjugação dos vários elementos e clicar no momento certo é um enorme desafio. "Dedico tantas horas [à fotografia de rua] que não me resta tempo para fazer mais nada. Ia escrever que é uma paixão, mas ultrapassa. Transformou-se na minha forma de ser. Nunca consigo dissociar-me dela: [na rua] os meus olhos estão permanentemente à procura de uma fotografia." Segue sobretudo o seu instinto. "Não me imponho temas específicos para não colocar filtros. Deixo-me guiar pela intuição. (...) É como jogar A Caça Ao Tesouro sem mapa", compara. Os mapas são, no entanto, objectos muito presentes na vida do fotógrafo. Nascido e criado na capital da Catalunha, mudou-se aos oito anos para Ibiza; regressou à cidade berço para frequentar a faculdade de Arquitectura e, em 2009, mudou-se para Oslo, na Noruega. "A maior parte das minhas fotos foi feita em cidades como Londres, Barcelona ou Nova Iorque. Em Oslo também, obviamente, por ser o local onde vivo." Sempre que pode, Pau visita uma metrópole para fotografar de forma intensiva. "Viajo sempre sozinho e fotografo desde a primeira hora da manhã até que o sol se põe. Faço milhares de imagens, acabo por conservar muito poucas e por publicar ainda menos." 99,99% são falhadas, admite. "Mas se fosse fácil, não teria interesse." A conta de Instagram do fotografo callejero é seguida por quase 14,4 mil utilizadores.

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