Suazilândia: um rei, muitas esposas, 25 filhos

autoria P3

// data 02/10/2017 - 10:09

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O reino da Suazilândia é uma das poucas monarquias remanescentes em África; o seu rei, Mswati III, é o último monarca absolutista africano. "Autodenominado como ngweyama (o leão), tem direito a desposar novamente a cada novo ano", explicou ao P3 a algarvia Eliana Silva, autora do conjunto de fotografias que retrata o Umhlanga, uma cerimónia anual em que jovens raparigas do país dançam e se mostram ao monarca. No dia 3 de Setembro, decorreu um novo ritual, a que Eliana assistiu, experienciando sentimentos contraditórios. "Visualmente é fantástico, pelas cores, pela cuidado delas, até pelo modo como as formas femininas ficam em evidência. Pertencem, claramente, à geração selfie porque, enquanto carregavam as canas, ajeitavam os Samsungs e os Huaweis para tirarem fotos. É completamente aterrador perceber que esta é a única opção para milhares de raparigas, que elas estão ali para servir o rei. Pior: que a educação/formação que receberam foi dada apenas tendo em mente a satisfação de um homem, do seu prazer." Depois desta cerimónia, o rei conta actualmente, de acordo com a imprensa local, com 14 esposas e 25 filhos. "Num país onde quase metade da população tem VIH, estes rituais só perpetuam a transmissão da epidemia", acrescenta Eliana. "Na Suazilândia, a poligamia é comum e as mulheres são consideradas propriedade dos maridos e os casos de violência e abusos sexuais sobre as mulheres são frequentes." A Suazilândia é "um país muito especial, muito singular", crê. "Mas, infelizmente, pelos piores motivos. O desenvolvimento económico-social é muito baixo e, para muitas mulheres, a eleição como rainha é a única forma de alcançarem uma vida melhor ou, pelo menos, diferente daquela para que estão predestinadas." Eliana, nascida e criada em Lagos, no Algarve, já viveu em Londres e reside actualmente em Maputo. Considera o meio audiovisual o seu "habitat preferencial"; no seu blog, Leve Leve, publica fotografia de viagem em paragens africanas, asiáticas e europeias.

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