Ricardo Silva

Crónica

Próxima paragem: Sul de Portugal

Um relato de alguém que vive na capital de Verão de Portugal

Texto de Alexandre Santos • 24/08/2017 - 12:13

Licenciado em Ciências da Comunicação, Alexandre é uma pessoa cuja vida é baseada na Lei de Murphy

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Estamos no fatídico mês de Agosto. Aquele mês em que o Algarve se enche de pessoas oriundas das mais diversas zonas de Portugal, mas também de vários países que assumiram como seus – e que, nesta altura do ano, voltam para matar as saudades.

 

São inúmeros os relatos das várias pessoas que aqui chegam para descansar. O Algarve torna-se, nesta altura, a capital de Verão. Todos os dias chegam inúmeros trabalhadores que procuram aproveitar o máximo desta jóia natural do nosso Portugal, mas há coisas que não têm em conta. A primeira e única é o respeito.

 

Viver no Algarve nesta altura é sinónimo de grande confusão e stress. Todos os dias há buzinas, confusões e até insultos no meio da estrada – incrível como as pessoas se conhecem tão bem. Mas até pode acontecer — vêm todos para aqui, é normal encontrar conhecidos.

 

Durante nove meses, o Algarve é uma paz de alma. Não se passa nada. Minto, há coisas a acontecer. O problema é que para chegar lá temos de fazer uma vaquinha para conseguir pagar os bilhetes de transportes públicos — o dilema de quem não tem carro começa por pagar, a peso de ouro, os bilhetes de autocarro. Nos restantes três meses, o Algarve torna-se uma Lisboa ampliada. Sabem aquele lugar de estacionamento que é vosso? Sim, esse mesmo, que está em frente à vossa casa? Pois, deixou de existir para dar lugar a um BMW com matrícula francesa com um logótipo da FPF (Federação Portuguesa de Futebol). Esse mesmo patriotismo, em muitos casos, é revelado pelo fomento da nossa economia… nomeadamente pelo consumo de um copo de água e um café numa mesa de seis pessoas. E ai de quem reclamar! Pois assim seremos ingratos e uns anormais. Todos os anos é a mesma dança.

 

Assim que acaba esta época balnear, todos regressam à sua origem. Seja dentro ou fora de Portugal. E ao chegar levam consigo as memórias de um Algarve lindo, pôres-do-sol extravagantes, de gin apreciados numa praia ao som de músicas cada vez mais sintéticas. Não perceberam? Vou reformular: sunset parties by the beach sponsored by GIN XX with DJ Pen drive. Melhor?

 

E enquanto essas pessoas levam consigo as memórias, os snaps, as fotos no Insta, os directos da sua passagem pelo Algarve, nós, os da terra, ficámos com a factura total… garantir que tudo volta ao estado normal para voltar a ser aquele nosso pequeno paraíso. Enquanto para os outros isto existr três meses por ano, para os restantes existe todos os anos, a toda a hora, e é tão lindo.

 

Pois bem, depois de se irem embora, tens aquela sensação única que só tens no que é teu. Essa é a sensação de viver no Algarve depois do boom de turistas. Deixamos para trás o vernáculo proferido na estrada pelos passeios sob rodas. Voltamos a poder estacionar o carro perto de casa. Não pagamos preços altíssimos por produtos essenciais. Regressamos ao café com os amigos, na nossa mesa, como se vê nas séries Friends e How I Met Your Mother. Depois claro, ficam as histórias do Verão que passou. Podemos até dizer que entramos de férias no Algarve.

 

Atenção, não estou a invocar que não são bem-vindos. São e muito! Mas procurem aproveitar ao máximo o que vos oferecemos sem que assumam que nós somos mal-humorados e ingratos. Na verdade, só o somos quando acaba a sardinha! Para terminar deixo o meu agradecimento aos vários turistas que chegam. Graças a vocês temos inúmeras histórias para contar. E isso não é mau.

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