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Segunda, 28 Mai 2012 • 10h13

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Miguel Barbot, Sérgio Moura e Hugo “Boinga” Cardoso

Miguel Barbot, Sérgio Moura e Hugo “Boinga” Cardoso Fernando Veludo/nFactos

Na corrida “alley cat” o último classificado é o premiado

Na corrida “alley cat” o último classificado é o premiado Fernando Veludo/nFactos

A Velo Culture estacionou no Mercado Municipal de Matosinhos

A Velo Culture estacionou no Mercado Municipal de Matosinhos Fernando Veludo/nFactos

Bicicletas de transporte urbano

Bicicletas de transporte urbano Fernando Veludo/nFactos

Fernando Veludo/nFactos

Cidade

Velo Culture: em tempo de troika, anda de bicicleta

Um trio improvável abriu, em Matosinhos, uma loja dedicada à “cultura da bicicleta”. Mas está empenhado em ir mais além e difundir um estilo de vida

Texto de Inês Rios • 10/01/2012 - 11:23

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Um consultor, um arquitecto e um jornalista. Três percursos muito distintos que convergiram na paixão comum pelas “biclas”. Miguel Barbot, Sérgio Moura e Hugo “Boinga” Cardoso são os rostos por detrás da Velo Culture, a nova loja de Matosinhos que convida as pessoas a trocarem o automóvel por uma bicicleta.

 

A Velo Culture nasceu no sábado (dia 7), na parte exterior do Mercado Municipal de Matosinhos, e distingue-se das outras lojas por não vender as típicas bicicletas de montanha. Vende, sim, bicicletas de transporte urbano, utilizáveis no dia-a-dia por toda a gente e para todos os fins, seja ir para o trabalho, sair com os amigos ou “fazer meia dúzia de compras no supermercado”.

 

Na Velo Culture estão reunidas várias marcas de bicicletas de estilo clássico – do qual a loja herdou a designação “velo” –, mas dotadas de uma “tecnologia moderna”, como fizeram questão de realçar os três amigos. Os preços variam entre os 200 e os 1500 euros, proporcionalmente à qualidade do produto. Os responsáveis asseguram que se trata de um investimento a longo prazo, porque estas bicicletas “praticamente não avariam”. Acessórios, livros e (a partir de Fevereiro) roupa fazem também parte da oferta, que contrasta com o aspecto antigo e recatado do pequeno estabelecimento.

 

Poupar na gasolina e no ginásio

Mais do que a questão ambiental, “já muito batida”, o que move o projecto é uma “questão social”. Pretende-se mostrar que a bicicleta é uma opção económica ao permitir poupar não só no veículo em si, mas também em gasolina e “até no ginásio”. Além disso, é veloz e não dá trabalho a estacionar. “É como andar a pé e de carro ao mesmo tempo”, compara Miguel Barbot.

 

O único obstáculo é o “mito” que, segundo os entrevistados, associa a bicicleta às “crianças” e aos “pobres”. Num cenário ideal, recuperar-se-ia a tendência do início do século XX – altura em que a bicicleta era um meio de transporte vulgaríssimo –, posteriormente destruída por um certo "status" ligado ao uso do automóvel. Nos dias de hoje, o ciclismo urbano voltou a ganhar força em países como a Dinamarca, a Bélgica e a Holanda. Para Sérgio Moura, a importação desse “estilo de vida saudável” seria uma mais-valia para Portugal e torná-lo-ia um país “mais contemporâneo”.

 

Paralelamente, o projecto visa fomentar uma maior união entre os ciclistas do Porto, à semelhança do que acontece em Lisboa, através da realização periódica de eventos. O primeiro teve lugar no próprio dia da inauguração: uma corrida em “bicla”, com a cidade como fundo, em que o mais importante não é ganhar. Aliás, o premiado é, normalmente, o último classificado. Chama-se “alley cat” e os três sócios prometem repeti-la em breve.

Comentários

    pcerejo

    19/02/2012 - 23:18

    Parabens pela importação do conceito mesmo sem as condições ideais. Sempre se renova a originalidade e se aposta em algo diferente que provavelmente pode vir a ser o "motor" para a criação de condições mais favoraveis ao prazer de desfrutar um passeio de bicicleta. Fiquei fã e vou visitar a loja.

    Jorge Costa

    11/01/2012 - 02:46

    Parabéns pela originalidade da ideia! Aproveito esta oportunidade para relembrar o excelente trabalho do Jornalista Pedro Almeida, aqui no P3 há já algum tempo, sobre este mesmo tema. Gostaria muito, e faço votos para que em breve possamos ver de novo esse trabalho, renovado agora na versão "Inverno", na cidade do Porto.

    Anónimo (não registado)

    10/01/2012 - 18:10

    Sem dúvida útil, mas eu prefiro ir comprar bicicletas nacionais, que são tão bonitas como estas e que até custam menos. Há que apostar no que é nacional. Se em Paris compram bicicletas tuga e utilizam as mesmas na cidade (eu já fiz isso mesmo) para que temos de mandar vir binas da Dinamarca ou de outros países. Pensem nisto...

    Anónimo (não registado)

    10/01/2012 - 17:45

    Sempre a patética da desculpa, ou tem subidas ou está frio ou está calor. Quando não há vontade nada se faz! Parabéns a estes empreendedores, espero que tenham sucesso e ajudem a combater os estereótipos que alguns continuam teimosamente a colar às bicicletas!

    anonímio (não registado)

    10/01/2012 - 14:59

    Isto é tudo muito bonito, mas só funciona em cidades que tenham condições para isso. Andei uma vez de bicicleta em Lisboa e jurei para nunca mais. Um verdadeiro inferno, uma falta de condições aliada a uma tremenda falta de educação e civismo do português. Já para não falar do que se sua durante a prova de obstáculos, subidas, etc...

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