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Phil Noble/Reuters

Transporte

Ryanair vai fazer a ligação Porto—Lisboa e Faro—Lisboa

Companhia confirma ligações em conferência de imprensa. Rotas estreiam em Abril

Texto de PÚBLICO • 19/02/2014 - 15:27

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A partir do dia 2 de Abril, a Ryanair vai começar a ligar as cidades do Porto e Lisboa. A companhia de baixo custo vai oferecer um voo em cada sentido, de segunda a sexta-feira, mas todos de manhã bem cedo, o que poderá afastar potenciais clientes de negócios que precisassem de se deslocar entre as duas cidades no mesmo dia. O aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, vai ainda receber três outras novas rotas da companhia irlandesa: a cidade que foi recentemente distinguido como o melhor destino europeu vai passar a estar ligada a Rennes e Limoges, em França, e ao aeroporto principal de Bruxelas. Lisboa e Faro também vão passar a estar ligadas diariamente pela Ryanair.

 

As quatro rotas vão entrar em funcionamento em diferentes meses do ano e, no caso das duas cidades francesas, serão sazonais. Para voar para Rennes e Limoges, por enquanto, só nos meses de Julho e Agosto. Já para Bruxelas Zaventem será possível voar todos os dias da semana, já a partir de 27 de Fevereiro, ficando a capital belga ligada ao Porto por duas rotas da Ryanair (a operação continua em Charleroi).

 

Mas, a novidade anunciada por Luis Fernández-Mellado que mais sorrisos cativou na conferência de imprensa que deu, na manhã deste quarta-feira, foi o anúncio de que Porto e Lisboa passarão a estar ligados pelos aviões da companhia irlandesa. De segunda a sexta-feira há um avião que sai do Porto em direcção à capital às 6h40, já a partir de 2 de Abril. Para deixar Lisboa em direcção a Norte, os passageiros têm voos às 7h55 (às segundas, quintas e sextas-feiras), às 8h (às quartas-feiras) e às 8h05 (às terças-feiras).

 

Horários que poderão afastar clientes da área de negócios, já que a escolha da Ryanair obrigará, necessariamente, à permanência de uma noite numa das cidades. Luis Férnandez-Mellado reconheceu essa limitação, mas salientou que este horário é “experimental”. “Quando começamos a voar para Faro também nos criticaram e disseram que não iríamos ter passageiros, e afinal correu bem”, disse.

 

Quanto aos preços também não há grandes novidades em relação ao que a Ryanair pratica para outros destinos. Há uma oferta de lançamento para as novas rotas anunciadas pela companhia, de 19,99 euros, que pode tentar adquirir entre amanhã e o dia 24 de Fevereiro, mas depois aplicam-se as regras da “low-cost”. “Os preços irão variar consoante a antecedência com que se compra ou a época, mas a nossa tarifa média, muito abaixo das outras companhias, é de 48 euros”, explicou Luis Férnandez-Mellado.

 

Aliás, o responsável pelas vendas e marketing da Ryanair em Portugal garantiu que o país tem sido um caso que fugiu à regra que marcou o último ano da operação da companhia irlandesa, que classificou como “muito difícil”. A estimativa de crescimento da “low-cost” em 2013 (o ano fiscal só fecha em Março) não de chegar aos 5%, sendo um dos mais baixos de sempre.

 

Uma situação a que não será alheia a crise, mas que Férnandez-Mellado atribui, sobretudo, à falta de aviões e ao aumento de custos de alguns aeroportos, o que fez com que a companhia abandonasse algumas cidades, nomeadamente em Espanha, onde o número de passageiros caiu “entre 20 a 25%”, referiu. “Portugal é um caso à parte. Este foi o ano com melhor crescimento”, explicou o director.

 

Com as quatro novas rotas anunciadas para o Porto – a partir de Abril, a Ryanair passará a operar para 38 destinos, a partir desta cidade, abandonando as rotas alemãs para Hamburgo e Nuremberga -, a “low-cost” espera um acréscimo no número de passageiros transportados (e que representam já cerca dos 2,3 milhões dos 6,4 milhões de passageiros que passaram pelo aeroporto portuense em 2013) e mais satisfação dos seus clientes.

 

Para isso poderá contar muito as novas regras que a companhia implementou nos últimos meses, nomeadamente, a permissão de transporte de uma segunda bagagem de mão, mais pequena do que a primeira, a redução de preço para a impressão do cartão de embarque no aeroporto ou a existência de lugares marcados em todos os voos. A outra novidade, designada de “período de graça de 24 horas” já permite que os passageiros que cometam algum erro no momento da reserva do bilhete possam corrigi-lo, alterando a reserva, no período de 24 horas, sem que lhe seja aplicada qualquer taxa adicional.

 

Medidas que Luis Fernández-Mellade diz serem o resultado de um “exercício de autocrítica”, assente nas queixas feitas pelos clientes. “Temos consciência que o nosso desempenho não foi perfeito e propusemo-nos a melhorar as coisas de que os clientes não gostavam”, disse.

 

Até 2019 a Ryanair pretende passar dos 81 milhões de passageiros transportados na Europa para os 110 milhões e, para isso, a companhia conta com a aquisição de 175 novos aviões, nos próximos cinco anos. Alguns serão para substituir aparelhos já existentes, mas cerca de cem serão um verdadeiro acréscimo à frota actual.

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