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Elenco de <i>4Play</i>

Televisão

Esta série não passa em horário nobre — mas passa por vários sofás

4 Play, a nova série da RTP2, é um jogo de sedução com regras e pontos, disputado na noite do Porto. O objectivo? "Explorar como as pessoas vivem a sexualidade", mas sem "moralizar"

Texto de Renata Monteiro • 27/09/2017 - 14:58

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É tudo um jogo, mas "antes de mais é importante que vocês percebam que tem um objectivo", alerta Carolina, uma das personagens principais (e jogadoras), interpretada por Sílvia Santos, no primeiro episódio da 4Play. Afinal, o grupo de amigos tem um argumento para escrever, "independentemente de terem uma desculpa para andarem enrolados com miúdas diferentes todos os dias".

 

Esta “irmandade” ficcional — “quatro amigos inconsequentes e boémios” — criou um jogo para “arranjar inspiração e decidir quem vai protagonizar a série de televisão que querem criar”, explica ao P3 Luís Porto, que também criou, com alguns amigos do Porto, a nova aposta em ficção nacional da RTP2.

 

Há o Bruno, “feito para o jogo, [que] está naturalmente equipado para o ataque”. Carolina é a líder: “domina o jogo, mas não precisa dele para viver”. O João “nasceu para perder” e Lourenço só “joga para ganhar”. “O grupo — Tiago Paiva, Pedro Manana, Duarte Loc e Sílvia Santos — materializou o jogo de sedução criando uma pontuação e regras que seguem todos à risca”, explica.

 

E este jogo tem muitos “engates” na noite do Porto, que resultam em “muito sexo” à frente da câmara. Para Luís, é apenas a “dose certa para fazer sentido na série”. Para o realizador da 4Play, quando a nudez aparece "é porque tem de aparecer". "Seria estranho se a tapássemos de alguma maneira."

 

Criada por jovens, a “irreverência” e a “forma despudorada como se mostram as coisas dão um carácter natural à história”, defende Laura Milheiro, produtora. Queriam que a série fosse “crua”, “descomprometida”, mas nunca uma “juvenil” ou “que alimentasse um certo voyerismo do público”. "Para isso temos o Google", atira Luís.

 

O objectivo é outro: "explorar como as pessoas vivem a sexualidade", sem “moralizar” ou “ensinar o público”, manifesta o realizador. “Na verdade, eu queria uma vida como a deles, com um grupo de amigos assim”, confessa, dizendo que as personagens são “fortemente inspiradas em pessoas” que conhecem (e nos próprios actores). “Mas isto fica mais interessante do que a realidade, senão tínhamos feito um documentário”, assegura Laura. “Ah! E a comédia vai ficando cada vez mais dramática”, promete.

 

A RTP2 avisa que “a série não é para ser vista com crianças”  — e por isso é que transmite os 13 episódios à meia-noite e meia, todas as quintas-feiras — mas “só alterou uma cena do guião”. Tinham posto “um puto de cinco anos a apanhar um estimulador anal na rua e a fingir que era um foguetão” e até eles, depois, acharam “que era de mais”. “A verdade é que enquanto somos jovens e ninguém nos conhece fazemos o que queremos e o que gostamos”, descompromete-se Luís, que considerou “uma verdadeira surpresa” a aposta da RTP2.

 

O orçamento para a série era “pequenino”, revela a produtora. “Muito, muito pequenino”, corrige o realizador. Três anos depois de o episódio-piloto ter sido gravado, a série — até agora o “maior projecto de todos os membros da equipa” e da Frame Productions — estreia esta quinta-feira, 29 de Setembro. Ainda a ultimar a fase de pós-produção da primeira temporada, não escondem que fazem figas por uma segunda.

 

Se arriscar valeu a pena, só “se vai perceber depois”. Luís diz que a 4Play vai, para já, “ganhar espectadores com o passa-palavra” e, talvez, “quando chegar o quinto episódio, já haja pessoas à espera da meia-noite e meia para ver em directo”.

 

O Porto e a música: a identidade da série

A equipa é toda do Porto e o realizador tem a cidade no apelido, mas, além do “factor conveniência”, a “ligação” ao local de filmagens é “mais forte”. Imaginemos: se fosse gravada em Lisboa, por exemplo, rolava “mais no LUX ou no Music Box, aparecia mais o jet set por causa da fama do personagem principal e tudo era mais glamoroso”, ironiza Luís. Na pista de dança (e nas casas-de-banho) do Rendez Vous, do Plano B e do Tendinha e no Passeio das Virtudes e nas ruas do Porto, onde “realmente se faz a festa”, é “tudo mais genuíno”.

 

O mesmo com a música. Poderiam sonorizar com “hits mainstream”, mas “perdia a essência”. Por isso é que, enquanto dois personagens cruzam olhares (e descruzam umas tantas outras coisas) ao fundo “ouve-se o que passa às escondidas nas caves do Porto”. Em especial, o punk-rock dos portuenses Go Baby Go. Eles querem fugir a toda a força dos lugares-comuns, mas a verdade é que caem num: a série é “sexo, drogas e rock ‘n’ roll”. Game on.

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