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Crónica

O meu dicionário de moda: Guna e Hippie Chic

Não esperem encontrar por aqui o mais rigoroso dos dicionários de moda. Este não é um dicionário técnico, é certo, mas é muito mais divertido

Texto de Marta Moura • 12/06/2017 - 14:41

Marta Moura, jurista e autora do blogue fashiONoir

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Guna

É um tipo de jovem urbano associado às camadas sociais mais desfavorecidas, de comportamento algo agressivo, barulhento, vaidoso e com um código de vestuário muito próprio.

 

Os gunas (esta designação é a utilizada para os miúdos da zona do Porto, em Lisboa são os mitras) têm uma palavra a dizer em relação às tendências de street style e, embora não sejam poucos os que querem pertencer a esta tribo, não é qualquer um que o consegue. Porque não basta parecer guna, é preciso ser-se guna.

 

Se não sei muito bem como podem sê-lo a um nível metafísico — esse é um processo de descoberta interior a ser desbravado pelos interessados — posso dar algumas dicas sobre como parecer guna.

 

São peças essenciais do seu closet a calça de treino, à escolha entre Nike, Kappa e Adidas (os mais fashionistas arriscam a passear-se numas skinny compradas na secção de mulher da Lefties), a t-shirt bem larga ou, de preferência, a wife beater (a t-shirt à trolha, estão a ver?), as sapatilhas – se forem as Max Air da Nike, melhor - e o cap, que é fundamental (nada de bonés, que isso é fatela).

 

Camisolas e casacos de capuz também podem ser usados, mas com alguma contenção. Atenção que não obstante os gunas mais tradicionalistas continuem a usar a calça de treino por dentro das meias, esta é uma tendência que caiu em desuso.

 

Como complementos não podem faltar os óculos escuros modernos (se possível da Nike, que é uma marca muito apreciada pela gunada, mas também Ray-Ban), o colar vistoso de ouro (pode ser imitação, mas só se for das boas) e brincos e piercings com fartura.

 

Estas são as achegas básicas para a integração, mas é importante reter que o visual de nada vale se quem o estiver a exibir não tiver um guna dentro de si.

 

Penso, no entanto, que quem possua essa essência e consiga interiorizar as noções básicas sobre o look gúnico pode ir longe na escalada social e, quiçá, chegar a líder dos Super Dragões. Para que isso aconteça o fundamental é acreditar em si, é trabalhar, é querer fazer mais e melhor, é tratar as adversidades por tu e, a partir daí, deixar fluir.

 

O resto acabará por sobrevir naturalmente.

 

Hippie Chic

É um estilo inspirado na cultura hippie dos anos 60 e parte dos anos 70, onde silhuetas fluídas e peças florais são as rainhas da festa, e que tem como essenciais, nomeadamente, calças à boca-de-sino, sandálias gladiadoras, maxivestidos e acessórios para a cabeça, especialmente com flores.

 

Bastante parecido com o Hippie Chic mas mais abrangente é o Boho Chic (boho é a abreviatura de bohemian), que mistura referências étnicas, vintage, country, hippie, folk e as que mais se queira juntar. Os looks boho são construídos de forma a parecerem não pensados — a ideia é fazer crer que a pessoa pegou nas primeiras peças que encontrou e a coisa resultou —, tendo muita saída nos festivais de música.

 

Kate Moss e Siena Miller (esbanjam pinta estas duas) são ícones deste estilo, onde não podem faltar chapéus, franjas ou botas à cowboy.

 

Gosto de ambos os estilos, se utilizados com equilíbrio e bom senso. Identifico-me mais com o Boho, mas acho algo redutor compartimentar as pessoas desta forma.

 

Pensando nisso, não há qualquer estilo onde me consiga integrar, já que me visto em função do contexto ou do humor (ora uso vestidos românticos que me fazem parecer figurante n’Uma Casa na Pradaria, ora me apetece um ar mais rock, ora pendo para looks mais masculinos, ora coiso e tal). O que posso garantir é que nunca me verão usar os chamados decotes-carne-toda-no-assador ou a saia-cinto, e digo isto com toda a certeza mas pouca convicção, que uma pessoa não sabe o dia de amanhã e sei lá eu (cruzes credo) se me dá um piripaque e me transformo numa Kim Kardashian em potência.

 

Não acho nada bem que a Kate e a Siena tenham um estilo e eu não, afinal o que é que elas têm a mais do que eu? Hum, são mais ricas; e mais giras; e mais magras, as cabras, mas isso não é chamado ao caso.

 

Assim sendo, decidi que também quero um estilo para mim, e depois de muito ruminar sobre o assunto cheguei a uma solução que aglutina as minhas cambiantes estilísticas, as minhas múltiplas variações tático-outfitianas: o meu estilo é o Hiper Chic.

 

Bem sei que é um estilo fantástico e que vocês também querem tê-lo, mas não vale a pena criarem ilusões, que isto é só para quem pode, está bom?

 

P.S.: Menina Kate e menina Sienna, é que nem vos passe pela cabeça tentar imitar-me. Too much for you.

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