Série

Chocolate, lápis, dentífrico, biscoito — são portugueses e estão na televisão

Catarina Portas tem uma nova série na RTP1 sobre as fábricas tradicionais. "Fabrico Nacional" vai em busca da sua história e do que dizem sobre Portugal

Texto de Joana Amaral Cardoso • 14/05/2017 - 09:23

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Catarina Portas tornou-se um sinónimo de “marcas portuguesas”, mais ou menos retro, mais ou menos opacificadas pela passagem do tempo ou da globalização. Tornou-se uma voz em defesa do comércio tradicional, uma divulgadora da manufactura, abriu uma loja para essas marcas, depois outra e mais outra – e agora abre uma janela para “fábricas antigas, várias delas centenárias, com muitas histórias para contar sobre o país que fomos e que hoje somos”. Na televisão, “o fabrico é belo de se ver”, diz ao P2.

 

Fabrico Nacional é o novo programa da RTP1, que a partir de dia 18 e em pleno horário nobre falará de produtos portugueses, industriais inovadores e outras figuras que fizeram e fazem parte do quotidiano do país. Catarina Portas recupera em parte o que foi o seu trabalho como jornalista para este programa, mas também capitaliza o que fez na última década como dona das lojas A Vida Portuguesa. “Tendo sido jornalista e sendo merceeira vai para 12 anos”, recorda ao P2, “a atitude de jornalista ficou e a força da Vida Portuguesa é a pesquisa. Estou há 12 anos a visitar fábricas e a adquirir conhecimento”, sublinha sobre o que verteu para Fabrico Nacional, duas séries de oito programas cada, uma para já e outra para a rentrée após o Verão.

 

Produzida pela Até ao Fim do Mundo e da autoria da própria Catarina Portas, a série tem um tom que foge ao da reportagem e quer dar muito espaço à imagem – a tal beleza da manufactura, do tecido industrial tradicional português. Fruto de um convite da direcção de programas do canal público, vai estar às 21h semanalmente, como contraponto à outra produção portuguesa dos restantes canais generalistas, as novelas. O Fabrico Nacionalfoi ao encontro dos chocolates da Arcádia, do chá Gorreana (o primeiro episódio), mas também da Vista Alegre, da Bordallo Pinheiro, da Pasta Medicinal Couto, dos biscoitos Paupério ou do papel da Renova e da escrita da Viarco.

 

A colecção de histórias de fábricas mostra diversas matizes. Há as grandes, como a Vista Alegre, e as pequenas, como as mantas alentejanas de Reguengos de Monsaraz. Há a Bordallo, cheia de nervuras e um dos maiores exemplos de como os gostos mudam e o que repelia em cima do naperon das avós tem decorado na última década as paredes cool, mas também “o maior exemplo de todo o movimento Arts and Crafts” em Portugal, como postula a autora – e é também uma fábrica fundada por um artista e que desde "que nasceu está na falência iminente". A maior parte deste Fabrico Nacional é centenário, e resistente.

 

Histórias contadas por empresários, trabalhadores fabris, historiadores, antropólogos ou outras vozes que se enleiem na vida destas fábrica, ouvidas em torno das folhagens, sob o chocolate ou à volta da loiça para dizer como se faz, porque “os consumos também mudam” e saber mais sobre isso também nos torna, espectadores, melhores consumidores.

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