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Inês Jesus é aluna do Mestrado de Jornalismo, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

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A frase

“Considero o meu estilo de humor ofensivo, porque é como ele é caracterizado, mas faço o parêntesis, é ofensivo para quem se possa ofender. Para mim, e para milhares de pessoas, não é ofensivo. Felizmente, só é ofensivo na designação”

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Crónica

Rui Sinel de Cordes: o primeiro humorista processado pela ERC

Habituou o público a uma imagem séria, de fato preto e palavras cruas. Com a convicção de que nunca há-de pedir desculpa por uma piada. Mas os processos começam a chegar.

Texto de Inês Jesus • 25/03/2012 - 12:14

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Portugal podia ter tido um comunicador, mas ganhou um humorista. Rui Sinel de Cordes licenciou-se em Ciências da Comunicação e terminado o curso começou a escrever para teatro e rádio. Em 2005, com um os Alcómicos Anónimos, fez espectáculos de "stand-up comedy", mas não preenchia os requintes de malvadez. 

 

"Chegou um dia que me fartei um bocado de estar a escrever para outras pessoas e de estar com um grupo a limitar-me no que queria realmente fazer, que era ofender pessoas", diz, a rir. “O Rui, em tempos, teve de adaptar o seu humor ao grupo de "sketches" que tínhamos em conjunto. Essa altura foi muito produtiva”, conta Salvador Martinha. Contactou Pedro Boucherie, director da SIC Radical, que viu o episódio piloto e deu o “sim”.

 

"Preto no Branco" foi a forma de se dar a conhecer ao público. Apesar da polémica dos primeiros episódios, confessa que “nunca quis começar de mansinho, só queria ter público que gostasse deste tipo de humor, preocupo-me com isso”. A razão? O espectáculo que iria estrear, no início de 2009, "Black Label". 

 

“Considero o meu estilo de humor ofensivo, porque é como ele é caracterizado, mas faço o parêntesis, é ofensivo para quem se possa ofender. Para mim, e para milhares de pessoas, não é ofensivo. Felizmente, só é ofensivo na designação”. Pedro Boucherie refere que “o Rui corre o risco sério de ser o “maluco” do humor negro”. 

 

A perícia com que Rui Sinel de Cordes manuseia as palavras já lhe valeu algumas ameaças de morte e dois processos. O mais recente foi instaurado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). É agora o primeiro autor humorístico a ser processado pela ERC. “Temos muito menos liberdade agora, em termos humorísticos, do que tínhamos há dez ou quinze anos”, remata. 

 

Hoje aos 32 anos, não se preocupa em ser pioneiro no humor negro, mantendo a convicção de querer mudar o humor português, diz que já não tem “a mesma ilusão que tinha”. Volta agora com "Gente da Minha Terra: Europa II", na SIC Radical. A nova série vai ter nove destinos renovados e Nuno Alberto, o fiel câmara, vai continuar a surpreender.

 

Enquanto Rui Sinel de Cordes detesta “dar estrilho e chamar à atenção”, Nuno Alberto não se importa de “se chegar à frente”. Rui Sinel de Cordes também vai voltar aos palcos com "Black Label", e os planos prevêem que seja já no início do ano. “Vai passar na SIC Radical e vai ser a última noite desse espectáculo em Lisboa, pelo menos”. 

 

Confessa já ter um novo espectáculo pensado, mas a paixão por "stand-up" faz com que pense em ir para Londres. “O projecto é ir para lá e ser um humorista à séria”. Apesar de os planos ainda não estarem traçados, Portugal não fica esquecido. Fica idealizada uma série sobre o "stand-up" em Londres e, sempre que possível, Rui Sinel de Cordes há-de continuar as encher salas portuguesas.

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