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Álvaro Cúria é jornalista, doutorando em História, contador de aventuras e viaja

Álvaro Cúria é jornalista, doutorando em História, contador de aventuras e viajante do Universo

O excerto

"No final da avenida [İstiklal] estamos numa praça reconhecida recentemente. Tudo em Taksim transpira revolução. É gratificante ver que, por enquanto, o parque Gezi e as suas árvores centenárias continuam no lugar. Por aqui não há turistas mas há o que fazer: o Centro Cultural Atatürk tem cinco salas de espectáculos e outra com exposições."

Fatih Saribas/Reuters

Crónica

Istambul do outro lado da ponte

Vamos para o coração da cidade moderna. Queremos conhecer uma Turquia muito para lá do reino dos sultões

Texto de Álvaro Cúria • 05/12/2013 - 17:05

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Para quem chega a Istambul pela primeira vez, e por muito alternativa que se pretenda a viagem, há alguns "must see" incontornáveis. No bairro de Sultanahmet encontram-se os "ex-libris": a Mesquita Azul, o Palácio de Topkapi, a Hagia Sophia e o Grande Bazar são os diamantes de Istambul. Antes de tudo, é obrigatório palmilhar as calçadas deste bairro.

 

Porém, quando ganhamos alguma confiança com a última cidade antes da Ásia, seria no mínimo desatento não nos esforçarmos por ir mais além. Até porque todo o empenho em procurar a cidade para lá dos guias irá revelar-se uma deliciosa decisão.

 

A primeira prova é atravessar a ponte de Gálata resistindo ao apelo das várias esplanadas do tabuleiro inferior, debruçadas sobre o mar de Mármara. O Norte do Corno de Ouro brilha do outro lado da margem.

 

Beyoğlu é um antigo subúrbio de Constantinopla, que une as zonas de Gálata e Pera, onde se fixaram comunidades gregas, francesas e italianas ao longo dos séculos.

 

Para lá chegar, a subida é íngreme, pelas rampas de Karaköy, o antigo bairro medieval genovês, novo centro hip da cidade. Aqui, as lojas de souvenires dão lugar ao pequeno comércio dos artistas locais.

 

É preciso fôlego (e uns quantos sumos de laranja) para chegar à longa Avenida İstiklal. De repente, a cidade muda de figura. Os véus do hijab dão lugar às minissaias e as baklavas transformam-se em saborosas sobremesas artesanais. Está-se mesmo a ver que vamos ficar aqui algum tempo.

 

Só os locais e o eléctrico percorrem a avenida em toda a sua extensão. Pelo caminho, é impossível não ziguezaguear entre as chocolatarias, as pastelarias e os carrinhos de gelados. E conseguir resistir a entrar numa das pasajı, galerias comerciais construídas no século XIX.

 

E depois há os cafés. Esta é talvez a zona de Istambul onde, no meio de impressionantes palacetes, antigas sedes de embaixadas, se encontram os mais belos cafés da Turquia.

 

Como o Café Markiz. Não se sabe se foi por lá que avistaram Trotsky quando este se refugiou em Beyoğlu. Mas é certo que por lá perto passaram Agatha Christie, Mata Hari e outras figuras da intriga internacional. E embora sem a atmosfera de policial, tudo continua a ser muito sedutor.

 

Principalmente se entrarmos na Özsüt, uma autêntica loja de sobremesas. São quase todas irresistíveis, mas a Floresta Negra de Pistache deixa-nos a acreditar que o mundo é belo. Perfeita se acompanhada de uns minutos de "people watching".

 

No final da avenida estamos numa praça reconhecida recentemente. Tudo em Taksim transpira revolução. É gratificante ver que, por enquanto, o parque Gezi e as suas árvores centenárias continuam no lugar. Por aqui não há turistas mas há o que fazer: o Centro Cultural Atatürk tem cinco salas de espectáculos e outra com exposições.

 

Para terminar, queremos ver tudo de uma vez só e subir ao último andar do Marmara Pera Hotel, perto dali e de acesso grátis. Lá de cima, Istambul é nossa: as mesquitas, as pontes, o Mármara, o Bósforo e a entrada na Ásia. Uma das cidades mais fascinantes do mundo e a sua história intemporal estendem-se rendidas aos nossos pés.

Eu acho que

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