Arquitectura

A Dédalo voltou com um labirinto de saberes dentro

A revista anual dos estudantes da Faculdade de Arquitectura do Porto não era publicada desde 2012. Agora, o grupo de alunos que a relançou espera que este seja o início de algo “a ser continuado”

Texto de Nuno Rafael Gomes created; ?> •


Já há cinco anos que esta revista não era publicada. Talvez se tenha perdido nos múltiplos caminhos do Labirinto de Creta, a maior obra de um notável arquitecto e inventor. Fala-se de Dédalo, personagem da mitologia grega, e, ao mesmo tempo, o nome desta publicação dos alunos da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP). O relançamento está marcado para esta quinta-feira, 7 de Dezembro, no Auditório Fernando Távora, no edifício da faculdade.

 

Agora, e encontrada a saída do labirinto, olha-se de fora para aqueles caminhos. Repensar o processo de criatividade e a condição artística da arquitectura é o tema da edição de 2017 da revista Dédalo, que também se desdobra nas diversas disciplinas que a área abrange — as ciências sociais, as outras formas de expressão artística e a política.

  

O relançamento “começou a ser pensado há um ano”, conta Fernando Pimenta, da equipa editorial de 2017. “Apercebemo-nos que a revista é um veículo de discussão na universidade”, acrescenta. Impulsionar esse diálogo fez parte do processo de “ressuscitação” da Dédalo, que se construiu com algumas paragens até culminar na apresentação da edição deste ano. Primeiro, houve uma exposição no grande corredor da FAUP, em Abril, “para apelar à participação e ao envolvimento da escola no projecto”. Naquele espaço comum reflectiu-se a tríade “sujeito”, “disciplina” e “circunstância”, através de imagens “que povoam o imaginário e representam um pensamento”. Depois, em Maio, as conversas Momento Atmosfera que se prolongaram por dois dias: o primeiro dedicado ao sujeito criativo e o segundo com o foco no ensino criativo. “Todas estas acções também serviram de discussão acerca do que se queria abordar com a revista”, explica Fernando.

 

O estudante aponta que o propósito é que a revista seja alvo “de discussão entre pessoas” — o tema é a arquitectura, mas a área “não é uma redoma”, salienta, daí “a multidisciplinaridade inerente à Dédalo”. Por isso, a edição de 2017 conta, por exemplo, com o contributo de Silvina Rodrigues Lopes, professora catedrática na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa, cujas áreas de investigação abarcam a teoria da literatura ou a literatura portuguesa do século XX. Para além disso, também a dupla de jovens arquitectos Vale & Calvete — que, este ano, organizou a exposição 20x20 — colaborou com a equipa editorial deste ano. E todos os estudantes da FAUP interessados também puderam responder à chamada pública e participar.

 

E para o ano, há Dédalo? “Ainda não se sabe”, afiança Fernando, “mas a esperança é que o projecto continue”, acrescenta. No fim de contas, esta é uma revista que se constitui como “propriedade intelectual dos estudantes”, que parte deles, mas que se quer espalhar a todos aqueles que se queiram perder no labirinto arquitectónico do processo criativo.

 

Para além do lançamento, esta quinta-feira, pelas 19h, também há uma conferência do arquitecto Éric Lapierre, que lidera a curadoria para a Trienal de Arquitectura de Lisboa a partir de 2019. A Dédalo 2017 terá o custo de três euros no dia de lançamento. Depois, será possível adquirir a revista na livraria da Associação de Estudantes da FAUP — que também realiza vendas online para o resto do mundo —, a quatro euros para sócios e a cinco para não-sócios. Fernando Pimenta adianta que, na próxima semana, a Dédalo estará disponível para compra em mais livrarias da especialidade. Há 500 exemplares disponíveis para venda. Para o ano, quem sabe, há mais.