Música

As Leggy vêm a Portugal tocar rock e cantar feminismo

A banda de Cincinnati toca, este sábado, em Guimarães. Por detrás do trio norte-americano está a causa feminista e um lugar nas 50 bandas que provam que as mulheres estão a fazer a melhor música rock, segundo o "New York Times"

Texto de Tiago Ramalho created; ?> •


“As mulheres estão a fazer a melhor música rock, actualmente. Aqui estão as bandas que o provam.” Eis a responsabilidade que paira sobre as Leggy. Quando Verónique Allaer, Kerstin Bladh e Christopher Campbell se juntaram na cidade norte-americana de Cincinnati para fazer música não esperavam, pouco tempo depois, figurar na lista do New York Times das 50 bandas que estão a mudar a música, um “ambiente naturalmente desfavorável” para as mulheres.

 

Juntam-se os três em torno do telefone, ainda em Espanha. Esta sexta-feira, o destino marca Guimarães, no norte de um país que ainda não conhecem e que marca o último concerto na Europa antes do regresso aos Estados Unidos. As Leggy já saltaram há algum tempo a fronteira de Cincinnati, no estado de Ohio, mas só agora, na sua segunda tour europeia, chegam a Portugal. O último salto (e talvez o maior) foi a presença na lista do jornal americano que lhes deu “mais contactos de organizações nacionais, mais concertos, mais cobertura". "Foi uma espécie de validação”, explica ao P3 Verónique, mais conhecida por Vero. Mesmo para os seus pais, garantem, aparecer no New York Times mostra que “a música até vale a pena”.  

 

O trio norte-americano é, ainda assim, bem mais que uma banda de garage-rock. As letras mostram que o feminismo e a sexualidade são um tema presente. “Para mim, seria impossível não ter as mulheres representadas nas letras. Se fazes parte de uma banda, os jovens ouvem-te e é importante ser feminista”, esclarece Vero. Ao lado da vocalista, Kerstin acrescenta que “o mais importante está na atitude e nas acções”. Todos vêem a música como um espaço de influência, onde tudo deve ter um propósito: “O artigo do New York Times, por exemplo, é sobre como as mulheres estão a dominar o rock e é importante para as pessoas e para as raparigas verem isto. Saberem que podem estar no palco, que podem tocar a sua música”, conclui Kerstin.

 

O estereótipo das “bandas de raparigas” ainda existe, mas tem-se esgotado, defendem. “Aparece quando as pessoas pensam que não sabemos usar os amplificadores ou os instrumentos. As pessoas tentam ajudar, tentam ajustar os tons. Mas isso chateia-nos. Não vemos isso acontecer com rapazes”, explica Vero.

 

Definem-se hoje como uma banda de rock sem problemas em abordar a diferença de género. Preparam-se agora para gravar um álbum "mais complexo", assume Christopher, baseados na experiência acumulada desde 2014, altura em o grupo foi criado. Uma história que também dá pano para mangas. Já todos se conheciam desde os tempos da escola, quando Vero, semanas depois de se licenciar, teve uma “experiência de quase morte”, que levou a uma mudança de planos. Numa noite que não gosta de recordar, caiu de uma escada de incêndio e, depois disso, decidiu desistir dos estudos. A vocalista voltou então para Cincinnati e, pouco depois, já estava a viver com os dois amigos. Daí até formarem a banda foi um instante.

 

O fim-de-semana vai ser passado em Portugal, depois segue-se a viagem de regresso aos Estados Unidos. Antes do embarque, o concerto está agendado para este sábado, 11 de Novembro, às 22h30, no CAAA, em Guimarães, numa noite que também conta com a actuação de Albert Cavalier. A entrada tem o custo de três euros e inclui uma cerveja.