Algarve

PAN quer capturar raposas perdidas na praia para serem tratadas

Raposas foram vistas numa praia em Tavira e alimentadas pela população. A preocupação do grupo municipal do Algarve é encontrar estes animais e prestar os cuidados de saúde necessários à sua sobrevivência

Texto de Andreia Cunha created; ?> •


Uma família de raposas — uma mãe e duas crias com cerca de cinco meses — foi avistada várias vezes na praia de Cabanas, em Tavira, ao longo das últimas semanas. Estes animais têm sido alimentados pelas pessoas que frequentam aquela praia e estão actualmente a ser procurados pelas autoridades.

 

Tendo conhecimento desta situação, o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) enviou, a 22 de Setembro, um pedido de intervenção ao Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) para retirar estes animais da praia. A resposta não foi imediata, mas o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) encontra-se há vários dias a tentar capturar as raposas com recurso a armadilhas. Esta quarta-feira, 11 de Outubro, uma das raposas foi avistada no local, mas a tentativa de captura não teve sucesso.

 

O principal objectivo da intervenção passa por encontrar e capturar os animais para que estes possam ter os cuidados de saúde adequados, antes de serem devolvidos ao meio. “Neste momento, seria aprazível que a raposa (ou raposas) fosse capturada somente no sentido de lhe curar alguma ferida, para poder depois regressar ao habitat natural”, explica Susana Santos, comissária da Assembleia Plurimunicipal do PAN Algarve, ao P3.

 

O número de raposas ainda não foi confirmado porque ainda não foram vistas juntas, mas as autoridades acreditam que se encontram no seu habitat natural e que não precisam de ajuda. "As pessoas que avistaram as crias pensaram que estavam perdidas e a precisar de auxílio, por isso começaram a alimentá-las", continua Susana, "mas as raposas estão no seu habitat natural e conseguem facilmente atravessar de um lado para o outro com a maré baixa”.

 

Um dos motivos de preocupação da população é o estado de saúde dos animais. Segundo a comissária do PAN, que está a participar nas buscas, a raposa juvenil “está magra, mas não tem fome porque é alimentada pelas pessoas”. A médica veterinária municipal, que já esteve perto de um dos animais, “suspeita que se trata de uma raposa jovem que está a perder o pêlo”, não excluindo de momento a possibilidade de ter sarna, “um problema de pele que acontece com muita regularidade na vida selvagem”.

 

Após a captura, os animais serão acolhidos pelo RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, em Olhão, que ficará responsável por tratar as raposas e garantir a sua recuperação antes de devolvê-las à natureza. De acordo com um comunicado desta instituição, a alimentação e interacção destes animais com humanos deve ser evitada ao máximo: “A sobrevivência de um animal selvagem numa situação como esta pode ficar gravemente comprometida, pois a habituação ao Homem pode ser irreversível”. “No caso destas raposas”, refere ainda o comunicado, “a alimentação errada, disponibilizada pelas pessoas, é uma das causas para o seu estado de saúde”, o que pode também “atrasar e prejudicar o processo de captura pelas autoridades competentes”.

 

Esta intervenção é também referida pelo PAN como um entrave à sobrevivência do animal. “Depois da acção do ser humano, corre-se o risco de a raposa estar habituada a ser alimentada e não ter capacidade de sobreviver no meio.”

 

A “boa vontade da população”, bem como a “extensão da praia” e os “recursos limitados”, são apontados como os principais factores que têm atrasado o resgate das raposas. As primeiras tentativas de captura do ICNF com recurso a armadilhas foram prejudicadas pela população, que não estava de concordo com a captura. “O que acontecia é que sempre que era colocada uma armadilha, no dia seguinte era encontrada fechada, o que não acontece agora porque o ICNF está o dia inteiro no terreno”. Além disso, o comunicado do PAN Algarve no Facebook alerta para o facto de a alimentação dada a estes animais impedir que procurem o alimento deixado dentro das armadilhas.

 

Actualmente, as buscas permanecem activas e apenas cessarão quando as raposas forem encontradas e capturadas pelas autoridades. No local encontram-se dois responsáveis do ICNF, a SEPNA, a Polícia Marítima e a veterinária municipal com armadilhas e utensílios adequados à captura e recolha dos animais.

 

Artigo actualizado às 11h08 de 13 de Outubro de 2017