Ensino

P.Porto lidera programa internacional sobre “universidades do futuro”

O Instituto Politécnico do Porto e o de Viana do Castelo receberam quase um milhão de euros cada para "desenvolver novas abordagens inovadoras e multidisciplinares" de aprendizagem. Objectivo é "responder às exigências do mercado do trabalho do futuro"

Texto de Renata Monteiro created; ?> •


O Instituto Politécnico do Porto (P.Porto) vai liderar um novo projecto internacional para “mostrar o que pode vir a ser uma universidade do futuro”, diz ao P3 Rosário Gâmboa, presidente do P.Porto. Chama-se Universities of The Future e recebeu quase um milhão de euros da Comissão Europeia (através do programa Erasmus Knowledge Alliances) para, durante os próximos dois anos, traçar e pôr em prática uma nova versão de uma universidade “mais aberta, transversal, flexível e multidisciplinar”, que se mostre “capaz de vencer o intervalo que existe entre as universidades e o mundo do trabalho/empresas”, explica.

 

O “programa educativo inovador”, que começa a ser delineado este mês, vai debruçar-se “muito na problemática da indústria 4.0”, continua, e assentar “nos processos de industrialização e competitividade baseados numa nova cultura digital” — “algo que já está aí e que exige uma adaptação muito forte, das instituições e do Governo”, avisa.

 

O objectivo é promover uma aprendizagem “articulada com o mundo exterior”, razão pela qual o projecto liderado pelo P.Porto “não engloba só universidades” ou estudantes e tem parcerias com várias empresas e instituições nacionais e internacionais. “Queremos criar uma comunidade de práticos” que aprendam em conjunto e trabalhem “muito em equipas de trabalho”, exemplifica.

 

Os novos cursos arrancam em Janeiro de 2018 e têm várias intenções, garante a presidente. Os “mais urgentes” são os cursos de requalificação profissional”, maioritariamente de curta duração e sobre literacia digital, que visam reabilitar trabalhadores para as novas exigências do mercado de trabalho. Por outro lado, ainda dentro das universidades, a prioridade “é ver como podem vir a reajustar os programas respondendo melhor aos desafios das empresas”, explica. A iniciativa liderada pelo IPP defende um modelo de ensino “mais operante”, em torno “de projectos e desafios concretos que são colocados aos estudantes”, mantendo “uma preocupação pedagógica e científica forte”, prática corrente nos cursos já disponíveis na PDF, a plataforma de co-criação do politécnico que vai receber a maior parte do programa.

 

A criação de uma Design Factory virtual, com “produção própria de conhecimentos”, também faz parte do plano. Na plataforma online estarão disponíveis “estratégias, ferramentas e recursos” para estudantes, que poderão ser complementadas com as instalações físicas e os equipamentos da PDF.

 

Na base da candidatura esteve um relatório redigido pelo Fórum Económico e Mundial sobre o futuro da indústria, que defende que, nos próximos cinco anos, certas profissões “irão tornar-se redundantes”, outras “terão um crescimento acelerado” e ainda outro conjunto de ocupações “vai emergir e não sabemos qual é”, enumera a presidente.

 

O Politécnico de Viana do Castelo também foi financiado 

O Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) também recebeu quase um milhão de euros para desenvolver um programa relacionado com o ensino na área de turismo. O projecto internacional, coordenado pelo IPVC, resulta do “estabelecimento de parcerias entre cinco instituições de ensino superior e empresas do sector do turismo” e tem como objectivo desenvolver e reforçar as “soft skills dos alunos de turismo (licenciatura e mestrado) em contexto real”, explica ao P3, por email, Goretti Silva.

 

O programa vai implicar a “criação de módulos formativos relativos a estas competências” que vão ser integrados em disciplinas já em funcionamento e permitir aos alunos aprender junto das empresas de turismo. O projecto inicia-se a 2 de Janeiro e tem a duração de três anos.

 

O objectivo do Knowledge Alliances, que todos os anos abre candidaturas, é “fortalecer a capacidade de inovação da Europa”, lê-se no site. Os programas apoiados devem ter um “impacto a curto e longo prazo” em todos os parceiros envolvidos, “desenvolver abordagens novas e multidisciplinares ao ensino e à aprendizagem”, “estimular o empreendedorismo” entre universidades e empresas e facilitar o “fluxo e a co-criação de conhecimento". Para 2017 foram recebidas 168 candidaturas e financiados, até um máximo de um milhão de euros por ideia, 20 projectos liderados por organizações de onze países europeus.