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A performance consiste na construção de uma pista coberta de discos de vinil

A performance "Vinyl Arcade" consiste na construção de uma pista coberta de discos de vinil Pedro Almeida

“Tenho um ódio de estimação por música gravada", diz Lucas Abela

“Tenho um ódio de estimação por música gravada", diz Lucas Abela Luís Octávio Costa

Trama

Lucas Abela, o implacável exterminador de discos de vinil

Carros telecomandados, agulhas, microfones, parafusos e um "ódio de estimação por música gravada". O Trama no seu melhor

Texto de Luís Octávio Costa • 14/10/2011 - 22:41

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Está um disco rachado a meio (James Last) e ninguém quer saber. Há uma menina munida de um Black & Decker e um rasto de parafusos cravados no vinil que parece ter chegado ao fim da sua Via Sacra. The Rascals, Nena, Resistors, Bad Company, Whitsnake — e não nos obriguem a dizer os nomes dos discos a sério.

 

Passamos por um armazém lateral da Estação de São Bento, no Porto. Lucas Abela (o alter ego DJ Smallcock) está com ar de carpinteiro — e um olhar de soldado romano. Tem serrim na roupa e vai acomodando as centenas de discos com os pés (literalmente com os pés) deixando pegadas e riscos profundos sobre as músicas que sobreviveram ao CD, ao MP3 e às invenções da Apple. Não vão sobreviver a Lucas (ver para crer).

 

A performance "Vinyl Arcade", associada ao Festival Trama, consiste na construção de uma pista coberta de discos de vinil onde circulam carros telecomandados presos a uma agulha. O condutor senta-se ao volante de uma máquina de Arcade “old school”. O som é... uma experiência.

 

O evangelho segundo Lucas: “A música gravada nunca é tão boa como a original tocada pelo músico. Prefiro o intimismo de um concerto ao ambiente esterilizado de um estúdio de gravação. As gravações nunca são tão boas como ‘the real thing’”.

 

Ao P3, o australiano Lucas Abela declara-se culpado. E sem remorsos. “Tenho um ódio de estimação por música gravada. Por isso gosto deste tipo de destruição.”

 

Na sua opinião “antes da produção massificada, onde havia música havia um músico a tocar”. “A música gravada roubou-nos isso. Agora há colunas nos cantos”, lamenta o performer com “um certo prazer em estragar um disco de colecção ou o disco de uma banda conhecida”. “Já destrui álbuns de bandas que estavam presentes no evento para o qual eu tinha sido convidado.”

 

Uma praga

Por causa dos discos (e da sua evolução) “os músicos do dia-a-dia, os que tocam em pequenos bares, já não têm trabalho”. Conclusão: “A gravação de discos não é uma recompensa, é uma praga”.

 

Numa altura em que a cultura de discos de vinil atravessa um ressurgimento, Lucas aproveitou-se “da memória que muitos têm dos anos oitenta, de estarem ao volante de um simulador de carros de corrida”. Comprou duas máquinas Arcade “muito baratas”, ligou-as a dois carros telecomandados, espetou-lhes microfones de contacto e duas agulhas e apaixonou-se pela ideia de “ter um jogo que não é um jogo, um jogo real, a realidade virtual representada de uma forma estranha”.

 

3, 2, 1, Racing! “Ó meu Deus! Aquilo são os The Who, “Live at Leeds!”

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