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Alexandre Duarte

Alexandre Duarte é docente do IADE – Creative University, nas áreas de marketing e publicidade

O excerto

"Vivemos numa era de facilitismo tal que é o Google quem verdadeiramente ensina. Estudar dá trabalho, as aulas são tidas como chatas. Os alunos acham que os professores falam de coisas que pouco têm a ver com a sua realidade e, no pouco tempo em que estão na sala de aula, mandar SMS só porque sim, ver se há novos e-mails ou confirmar, de dois em dois minutos, se há novos "likes" na fotografia em biquíni é muito mais importante que o que o professor diz."

Rafael Marchante/Reuters

Rafael Marchante/Reuters

Crónica

A geração "encalhada"

Resolvi usar este espaço para abanar consciências, para alertar os pais e os chamar à razão. E não o faço por prazer, mas antes porque o considero urgente e não vejo nem leio nenhum “puxão” de orelhas público

Texto de Alexandre Duarte • 11/02/2014 - 17:32

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Ao escrever o que me vem na alma, posso estar a dar um tiro no pé. Posso apenas ganhar uma série de inimigos, criar ódios de estimação e fomentar anti-corpos, mas vou aproveitar para falar do estado da educação, ou melhor, da vontade de aprender dos jovens actuais. Estamos a falar da geração com maior acesso à informação de sempre, com maior facilidade na obtenção de conhecimento, com os canais e as redes de comunicação num ponto de verdadeira globalização.

 

Quando comparada com a minha, a geração que tem agora entre os 30 e muitos e os 40 e poucos — aquela à qual, há 20 anos, Vicente Jorge Silva chamou de "rasca" — interrogo-me: o que chamaria, então, o caro leitor à geração actual?

 

Eu chamo-lhe "geração encalhada", e atrevo-me a usar uma metáfora do surf para o justificar. A minha geração foi a que passou a rebentação da "onda gigante": estivemos quase a ser puxados para trás, mas a maioria conseguiu passar para o lado de lá de onde as ondas quebram. Isto é, a maioria "safou- se": correu, lutou, esforçou-se e tem uma vida relativamente estável. Mas, ao olhar para trás, vejo que a geração seguinte, a que tem actualmente 20 anos, foi a que levou com a onda em cima, a que não conseguiu fugir. O embate foi forte e levou-os para o fundo, e vai demorar algum tempo até conseguirem voltar a respirar à superfície. No fundo, esta é a geração que ficou presa na zona de impacto, encalhada.

 

Quando se esperaria que estes jovens estivessem ávidos de aprender e com uma atitude aberta e positiva, o que constatamos? O contrário. Uma postura desinteressada, calona, sem ideias nem raça, sem ambição. Importante é o telemóvel, são os SMS, os "likes", e as saídas à noite. Quando se fala em futuro e em emprego, fogem, desculpam-se com a crise, refugiam-se na falta de oportunidades e sugerem a emigração como cura para todos os males.

 

Vivemos numa era de facilitismo tal que é o Google quem verdadeiramente ensina. Estudar dá trabalho, as aulas são tidas como chatas. Os alunos acham que os professores falam de coisas que pouco têm a ver com a sua realidade e, no pouco tempo em que estão na sala de aula, mandar SMS só porque sim, ver se há novos e-mails ou confirmar, de dois em dois minutos, se há novos "likes" na fotografia em biquíni é muito mais importante que o que o professor diz.

 

Talvez porque seja pai, professor, mas principalmente porque me preocupa o futuro destes jovens, resolvi usar este espaço para abanar consciências, para alertar os pais e os chamar à razão. E não o faço por prazer, mas antes porque o considero urgente e não vejo nem leio nenhum “puxão” de orelhas público. E ele é, por vezes, necessário. Como é o caso.

 

É óbvio que tenho consciência de que poderia ter escrito um texto bonitinho, cor-de-rosa, cheio de ambição e sonhos, e agradar a toda a gente. Mas não era a mesma coisa. Se há solução: claro que há! Mas tem de partir de cada um e de cada família. Na convicção clara de que seremos o resultado do nosso esforço. Seja ele muito ou apenas muito pouco…

Eu acho que
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