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The Pansy Project: um amor-perfeito contra a homofobia

Artista britânico começou em 2005 a plantar amores-perfeitos em locais que testemunharam situações homofóbicas. Toda a gente pode participar no The Pansy Project

Texto de Amanda Ribeiro • 20/01/2014 - 12:56

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Por cada acção homofóbica, por cada impropério bradado aos céus, por cada ameaça política velada, ele — e outros — planta(m) um amor-perfeito no local onde tudo aconteceu. Ele é Paul Harfleet, um artista britânico que já anda há oito anos a combater desta forma a homofobia. Eis o The Pansy Project ("O Projecto do Amor-perfeito", em português).

 

Em 2005, em menos de 24 horas, Paul e o namorado foram por três vezes vítimas de ataques homofóbicos verbais e físicos. Esse belo dia de Verão, passado nas ruas de Manchester, acabaria por ser o catalisador para o projecto. O artista apercebeu-se que a forma como lidava com estas experiências dependia do seu estado de espírito, por isso, como conta no seu site, decidiu explorar as reacções e memórias que, mais tarde, os locais dos ataques espoletavam.

 

"Eu queria manipular essas associações para, de alguma forma, ver o local de maneira diferente e alterar as memórias. Fiquei interessado na natureza pública destes incidentes e no modo como se é forçado a reagir publicamente a um crime que geralmente ocorreu durante o dia, à vista desarmada."

 

O ritual de colocar flores em homenagem às vítimas nos locais de crimes e acidentes inspirou-o. Escolheu um amor-perfeito, "perfeito" para os seus objectivos: "pansy" é, em calão inglês, um homem efeminado. Desde aí, desde esse dia de 2005, milhares e milhares de flores foram plantadas em todo o mundo — tudo começou no Reino Unido, mas já chegou a Nova Iorque, Hong Kong, Belim ou Viena. Cada vez que Paul planta uma flor, fotografa-a e publica-a no seu site, muitas vezes com uma pequena descrição do abuso. Quem quiser, também é convidado a participar: basta seguir as instruções (em pdf) que o criador disponibilizou e não esquecer de enviar a imagem para ser publicada.

 

"O humilde amor-perfeito plantado torna-se num registo; é um vestígio de uma ocorrência pública que, sendo profundamente pessoal, fica disponível par ao público nas ruas e na internet." É, escreve o autor no seu site, uma forma de prevenir que a vítima "interiorize o incidente".

 

O projecto tem dado à volta ao mundo. Paul já participou em algumas exposições e criou uma linha de "sweatshirts" e posters com o mote "Put a Pansy in IT" — Putin foi o primeiro a ser silenciado com um amor-perfeito. Por cá, há quem plante flores no metro em nome do amor — o Sinal de Alarme regressou este ano.

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