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Alexandra Balona, arquitecta e doutoranda na European Graduated School

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Ficha técnica

Eye Height

Cocriação e interpretação_Bailarinos Beatriz Cantinho, Filipe Jácome, Francesca Bertozzi.

Cocriação e interpretação_Músicos Nuno Torres (Sax Alto), Ricardo Jacinto (Violoncelo).

Acompanhamento técnico (Som) Ruben Santiago. Produção executiva: Sara Morais.

Figurinos Mariana Sá Nogueira.

Produção Menino Exemplares.

Museu de Arte Contemporânea de Serralves, 13 de Maio de 2013.

DR

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Crónica

EYE HEIGHT: corpo-caixa sonora

Sem partituras musicais à priori, nem notações de movimento, o ensemble de músicos e bailarinos propõe uma paisagem sonora e espacial

Texto de Alexandra Balona • 14/05/2013 - 18:58

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Um palco sobre um palco, dispositivo cénico que é instrumento musical e plataforma coreográfica para uma paisagem sonora e espacial - EYE HEIGHT - espectáculo da bailarina e coreógrafa Beatriz Cantinho e do músico e artista Ricardo Jacinto, foi apresentado no passado domingo no Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Este evento é o segundo do ciclo de artes performativas Matérias Vitais, inspirado no livro Vibrant Matter: A Political Ecology of Things, da politóloga Jane Bennett, que destaca a relevância das matérias inanimadas na coexistência com os seres vivos. Por ocasião da exposição Alberto Carneiro: Arte Vida / Vida Arte: Revelações de Energias e Movimentos da Matéria, que integra estas premissas, e através da música, da performance e do cinema, este ciclo convoca para a experiência de “novos materialismos”.

 

Transportada para o palco, a plateia ocupa duas laterais. No centro, uma caixa em madeira de carvalho de 6x6m, construída em nove módulos, com a altura do olhar do espectador (que remete para o título da peça), desenha uma silhueta de topografia planáltica. Cada módulo tem no seu interior um conjunto de cordas com afinações determinadas.

 

Os músicos posicionam-se exteriores ao dispositivo: num dos vértices, Ricardo Jacinto no violoncelo e, no extremo diagonalmente oposto, Nuno Torres no sax alto. Da penumbra, a luz cénica destaca somente o objecto e os dois músicos que, entretanto, encetam um percurso de improvisação sonora.

 

Perante o dispositivo inerte, Beatriz Cantinho dirige-se da plateia para a plataforma, agora palco, e molda o seu corpo nos interstícios da topografia. Figurino em tom escuro, sem grande definição morfológica, contrasta com a tonalidade quente da madeira e, de rosto para o solo, o corpo submerge parcialmente nas curvas do objecto. Descreve movimentos horizontais, lentos, de deslize e fricção, atacados por gestos pontuais e bruscos de percussão. Na reacção ao gesto que excita as cordas, o objecto converte-se em caixa-de-ressonância e instrumento acústico que emite sonoridades subtis. Os outros dois bailarinos, Filipe Jácome e Francesca Bertozzi integram este processo com Beatriz Cantinho, entrando e saindo da estrutura central e procurando, em diálogo improvisado com os músicos, construir um território sonoro harmonioso. Sem partituras musicais à priori, nem notações de movimento, o ensemble de músicos e bailarinos propõe uma paisagem sonora e espacial (a que Ricardo Jacinto nos vem habituando), onde a presença dos bailarinos é instrumental e imagética.

 

A expectativa do dispositivo, e a sua beleza, fazem-nos desejar os momentos de silêncio para que este assuma um maior protagonismo. Com a amplificação dos outros instrumentos, a hierarquia do ensemble não é horizontal. O fim dá-se pelo blackout. Sem aviso, cumpre-se no final o legado do acaso de John Cage, que aqui se contamina a todo o evento performativo.

 

Nota: Elaborado no contexto da colaboração do ciclo Matérias Vitais com o Mais Crítica.

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