Orienta-te Redes Sociais

Figurinos de Catarina Barros para "A Pedra" DR

Paulo Pimenta

Catarina Barros

Teatro

Xadrez para seis

Os figurinos de Catarina Barros para “A Pedra” são o retrato de uma época – e um campo de forças em tensão

Texto de Inês Nadais • 22/09/2011 - 00:00

Distribuir

Imprimir

//

A A

Como todos os jogos, o xadrez de “A Pedra” tem as suas regras – e antes de começar a pensar no que ia fazer com as seis peças do texto, Catarina Barros, a figurinista desta produção das Boas Raparigas, soube que a regra número um era só usar “pretos, brancos e cinzentos”.

 

Dadas as características do tabuleiro – praticamente monocromático –, Catarina decidiu então “jogar com padrões”. Foi assim que avançou para a família Heising, o núcleo principal do texto, conta ao P3.

 

“Resolvi vesti-los de xadrez e a partir daí olhar para todo o texto como um jogo. A mãe [Witha] faz o jogo da filha [Heidrun], o jogo de que o pai [Wolfgang] foi um herói. E o próprio autor faz um jogo com os espectadores: será que a família Heising ajudou os judeus Schwarzmann ao comprar-lhes a casa, ou ajudou-se a si própria?”.

 

O xadrez – um padrão em voga nos anos 30, e que tem o lado simbólico de ter aparecido na Escócia como forma de distinguir os clãs, as famílias – torna-se mais claro de geração em geração, como se, com o tempo, o peso da colaboração de Wolfgang com os nazis ficasse mais esbatido.

 

Tudo é preto e branco, mas nada é preto no branco: “O Wolfgang tem sempre dois lados: não conseguimos perceber se foi obrigado pelo regime a tomar certas atitudes ou se era um nazi convicto, por isso pu-lo mais sombrio. A viúva dele, a Witha, é a matriarca, uma sobrevivente: tem um xadrez muito marcado. A filha, que vive do orgulho que tem no pai mas começa a ter as suas dúvidas, tem a quadrícula da mãe e o ponto inglês do pai: é uma mistura dos dois. E à neta, uma rebelde, liguei o movimento grunge que foi uma grande influência na década de 90, em que decorre a acção”, explica Catarina.

 

Os bons e os maus

As duas personagens “de fora” – a senhora Schwarzmann, proprietária original da casa, e Stephanie, a alemã de Leste que ali viveu com o avô depois da fuga dos Heising para o Ocidente – jogam outro jogo, outras regras.

 

“Subtilmente, as riscas delas evocam as fardas dos campos de concentração. Só a senhora Schwarzmann é judia, mas as duas são de certa forma excluídas”, diz a figurinista.

 

Xadrez para os maus, riscas para os bons? Nada disso, esclarece: “Não há um juizo moral sobre as personagens, apenas a necessidade de as distinguir para que o público as reconheça”. O que também tem a ver com esse tempo em que, na Alemanha, as pessoas mostravam pela roupa, pelos distintivos (a braçadeira nazi, a estrela amarela), a que família pertenciam.

Eu acho que

Pub

Videoclipe.pt
Videoclipe.pt

Audio

Laura quer que as pessoas entrem no atelier dos artistas "com um clique"

Neurociências

Joana Barroso

Investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto destacou-se com um projecto sobre o papel que o cérebro desempenha na dor crónica e venceu a...

Um designer a jogar às escondidas com...

Vídeo // Fugir para não ser encontrado e para não deixar a cidade "matar a criança que...