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A verdadeira história está bem escondida

A verdadeira história está bem escondida Paulo Pimenta

As personagens de “A Pedra” usam roupas de xadrez

As personagens de “A Pedra” usam roupas de xadrez Paulo Pimenta

Dados

Morada
Estúdio Zero, Rua do Heroísmo, 86 (Porto)

Horário
dias 22, 23 e 24 (21h45); dia 25 (16h)

Entrada
preço justo (dia 22), 5 euros (restantes dias)

Teatro

O século XX alemão é uma grande família – desavinda

Produção da companhia As Boas Raparigas continua em cena até dia 25. Hoje o público paga o que quiser para ver "A Pedra"

Texto de Inês Nadais • 21/09/2011 - 23:00

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Em 2008, o dramaturgo Marius von Mayenburg (Munique, 1972) construiu uma casa em Dresden para ali enterrar (vivos, mortos, mortos-vivos) os piores anos do século XX alemão.

 

Entre 1935 e 1993 (os anos da crise, de Hitler, da perseguição aos judeus, da guerra, da Solução Final, da Alemanha partida ao meio, e depois reunificada, mas com uma cicatriz de alto a baixo), vemos entrar, pela porta giratória desta vivenda, uma família judia, uma família nazi (ou não) e uma família de Leste.

 

Também as vemos sair, à pressa, deixando para trás o piano, as cartas de amor e o baloiço com vista para o bosque. Até dia 25 (às 21h45; domingo às 16h), é nesta casa que vivem As Boas Raparigas.

 

"A Pedra", de Mayenburg, foi o texto que a companhia de teatro portuense escolheu para o seu segundo encontro com a encenadora Cristina Carvalhal no Estúdio Zero da Rua do Heroísmo. Um texto que, no seu constante vaivém entre passado e presente, resume a história recente da Alemanha, entre o vertiginoso anti-semitismo da década de 30 e o stress pós-traumático da reunificação.

 

Como noutras casas antigas, aqui convivem três gerações da grande e desavinda família alemã – mesmo as gerações que já partiram, como a senhora Schwarzmann (Júlia Correia), judia forçada a fugir para os EUA nos anos que precedem a Segunda Guerra Mundial, e Stefanie (Joana Carvalho), cujo avô herda a casa depois da chegada dos russos e ali permanece até à queda do Muro de Berlim, voltam para contar a sua versão da história e reclamar o direito àquele lugar.

 

Nem preto nem branco

Quando chegam, é como se a casa se desmoronasse, pelo menos para Witha (Maria do Céu Ribeiro), Heidrun (Sandra Salomé) e Hannah (Sara Carinhas), as três mulheres (mãe, filha e neta) que lá vivem: de súbito, o passado heróico da família, e nomeadamente do patriarca Wolfgang Heising, é radicalmente abalado por perturbadoras revelações.

 

"É incrível a maneira como se vai revelando a verdadeira história. As personagens vão reformulando o seu próprio passado para poderem viver com o peso do que fizeram”, nota a encenadora, Cristina Carvalhal.

 

Também por isso, as personagens de “A Pedra” usam roupas de xadrez (uma ideia da figurinista Catarina Barros): ninguém na Alemanha do século XX foi totalmente preto, nem totalmente branco. É fácil apontar o dedo, mas não é esse o espírito, sublinha Cristina Carvalhal: "Todos podíamos ter estado de um lado ou do outro”.

 

Amanhã ainda é dia, mas hoje é a oportunidade ideal para visitar esta casa: atendendo à crise, as Boas Raparigas decidiram que o público pagará o que achar justo pelo bilhete para “A Pedra”. Depois, e até ao dia 25, o bilhete volta a custar cinco euros.

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