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Chantiers d'Europe lança concurso europeu para jovens de 18 anos

Festival de Paris quer dar voz aos jovens de 18 anos. Jovens portugueses também se podem candidatar

Texto de P3/Lusa • 07/05/2018 - 11:43

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Chantiers d'Europe, em Paris, vai lançar um concurso europeu no final de Maio para dar voz aos jovens de 18 anos e construir a edição de 2020 com "os primeiros adultos do século XXI".

 

O projecto 18/21 parte de uma reflexão sobre o que é "ter 18 anos no século XXI, explicou o director do festival, Emmanuel Demarcy-Mota, à agência Lusa. Os jovens portugueses também se vão poder candidatar para participar em ateliers de escrita, dança, música e debates que vão começar este ano e decorrem até 2020.

 

"É um projecto de dois a três anos sobre o que é ter 18 anos hoje, em 2018, mas também vai ser sobre ter 20 anos em 2020. Vai ser o Chantiers d'Europe para a juventude europeia. Jovens de vários países da Europa a poderem trabalhar em comum, inventar em comum, pensar em comum e abrir as portas de um teatro em Paris e noutras cidades do mundo aos primeiros adultos do século XXI", descreveu o director do Théâtre de La Ville.

 

O concurso europeu vai ser lançado no final do mês, mas os primeiros ateliers vão decorrer já em Maio, uma vez que a nona edição do festival de dança, teatro e música Chantiers d'Europe vai decorrer de 14 a 30 de Maio. Numa primeira fase, os debates e ateliers de escrita, dança e música vão realizar-se em Maio, Setembro e Dezembro, e vão contar com vários artistas que "vão ser convidados a trabalhar com pessoas só de 18 anos". Em 2019, ano de eleições europeias, vai haver novas sessões que vão questionar, por exemplo, "o que é ter 18 anos em Londres num país onde a maioria das pessoas de 18-25 votaram para ficar na Europa e as pessoas de 50 anos para cima, em maioria, votaram para a Inglaterra sair da Europa".

 

Abertos às mudanças de uma geração 

Deixando escapar a expressão "teatro político" — porque o teatro se situa entre o poético e o político — Emmanuel Demarcy-Mota disse querer alargar, em 2019, o projecto 18/21 a jovens de outros países, como a Coreia do Sul, numa edição que se vai chamar Chantiers d'Europe/Chantiers du Monde. Em 2020, vai haver novas sessões e o festival poderá ser "construído" a partir dos ateliers com os jovens. "Há jovens hoje que são jovens do século XXI. Vamos mudar de século com eles. É não só dar voz e um lugar aos jovens — isso é importante — mas tentar ser mais abertos às grandes mudanças do mundo que vão ser feitas por uma outra geração que tem hoje 18 anos", destacou.

 

Cinquenta anos depois de Maio de 1968 e também no 50.º aniversário do Théâtre de la Ville, um dos primeiros ateliers vai confrontar jovens de 18 anos com pessoas de 68 anos, ou seja, "que tinham 18 anos em Maio de 68" porque este teatro é "o sítio das utopias" e não "um supermercado" à mercê de "modas dos aniversários". "O Théâtre de La Ville é um sítio que tem uma obrigação profunda, desde que foi inventado — e é por isso, aliás, que fui nomeado — de trabalhar sobre as utopias e considerar que uma utopia pode ser uma coisa concreta. Qual foi a utopia do Théâtre de La Ville? Abrir um teatro ao teatro, à dança, à música do mundo inteiro", sublinhou Emmanuel Demarcy-Mota.

 

O encenador, nascido em 1970, acrescentou que o Chantiers d'Europe é uma das principais "utopias concretas" ao juntar artistas de uma "Europa muito complicada" e acentuou que, como encenador, tem montado peças de autores que falam de resistência e de coragem, como o romeno Eugène Ionesco. Em causa, a própria herança dos pais que acreditaram na "utopia da democracia": a actriz Teresa Mota que "lia poemas do Jacques Prévert aos trabalhadores de La Samaritaine" em Maio de 68 e o encenador Richard Demarcy que fez canções para José Afonso.

 

Nesta edição do Chantiers d'Europe, dedicada a Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Alemanha, vão subir ao palco o músico Camané, a companhia de música teatral Babelim, as companhias de teatro Hotel Europa e Teatro Praga, a coreógrafa Tânia Carvalho, estando, ainda, prevista uma residência na Cité Internationale des Arts do compositor Diogo Alvim e uma exposição e residência da fotógrafa Estelle Valente no Théâtre de La Ville - Espace Pierre Cardin.

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