Paulo Pimenta

Crónica

Até que ponto a tua cidade é criativa?

Para ajudar as cidades europeias a encontrar melhores formas de tirar partido do potencial dos sectores cultural e criativo, a Comissão Europeia desenvolveu uma nova ferramenta interactiva: o Observatório das Cidades Culturais e Criativas

Texto de Tibor Navracsics • 25/08/2017 - 17:37

Tibor Navracsics é Comissário Europeu para a Educação, Cultura, Juventude e Desporto

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Estás a desfrutar dos festivais de Verão? A aproveitar os concertos e o cinema ao ar livre, por exemplo, no jardim da Gulbenkian, em Lisboa, ou os eventos nos museus locais? E da entrada gratuita nos museus nacionais portugueses ao domingo?

 

Para ajudar as cidades europeias a encontrar melhores formas de tirar partido do potencial dos sectores cultural e criativo, a Comissão Europeia desenvolveu uma nova ferramenta interactiva que convido a todos a usar: o Observatório das Cidades Culturais e Criativas.

 

Esta nova ferramenta explora o papel da cultura e da criatividade nas cidades como catalisador do crescimento económico, da criação de emprego e do reforço da coesão social. Foram recolhidos e analisados dados abrangentes sobre 168 cidades de 30 países europeus, proporcionando uma base factual sólida que, com as ideias e contribuições das cidades e dos cidadãos, vai sendo actualizada e desenvolvida para se tornar cada vez mais útil.  

 

Portugal é um país particularmente dinâmico do ponto de vista cultural. Lisboa ocupa o lugar cimeiro em termos de infra.estruturas culturais. Desde 1994, quando foi Capital Europeia da Cultura, organizou vários eventos internacionais, como a Expo 98, o Euro 2004 e o Web Summit em 2016, impulsionando o desenvolvimento de infra-estruturas e actividades culturais locais. Em zonas urbanas reabilitadas surgiram espaços de trabalho partilhados, laboratórios de ideias e incubadoras de empresas. A cidade tem acolhido vários eventos internacionais de arte e criatividade como a Trienal de Arquitectura de Lisboa, o Lisboa Fashion Week, o Lisbon & Estoril Film Festival e o European Creative Hubs Forum. Lisboa desfruta ainda de um rico património cultural, com dois monumentos considerados Património Mundial da UNESCO: a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos.

 

Na Região Norte, o Porto, Capital Europeia da Cultura em 2001, é hoje uma cidade viva, cosmopolita e um excelente local para a realização de eventos culturais e artísticos. Nos últimos anos, foi objecto de importantes transformações, graças a grandes investimentos em infra-estruturas culturais, como a sala de concertos Casa da Música. Além disso, o Pólo das Indústrias Criativas do UPTEC - Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, por exemplo, apoia centenas de projectos empresariais, no domínio do design, comunicação, arquitectura, audiovisual, música, artes visuais, artes do espectáculo e edição.

 

Guimarães, o berço da nação, foi Capital Europeia da Cultura em 2012. A cidade dispõe de um importante espaço para a realização de eventos culturais - o Centro Cultural Vila Flor e organiza vários festivais com o rótulo "Europa para os festivais, festivais para a Europa". Durante um deles — Guimarães noc noc — são mostradas todas as disciplinas artísticas em locais não convencionais, tais como casas particulares, estúdios, cafés, praças e ruas.

 

A histórica cidade de Coimbra acolhe a mais antiga instituição académica do mundo lusófono, a Universidade de Coimbra, cujos edifícios foram classificados como património mundial pela UNESCO. Bem classificada na categoria "Novos empregos em sectores criativos", esta é a cidade onde surgiu o tradicional género musical Fado e tem uma vida musical contemporânea dinâmica.

 

E estes são alguns exemplos. Não existe uma cidade europeia "perfeita", cada uma dispõe de características diferentes. Celebraremos essa rica diversidade ao longo de 2018, o Ano Europeu do Património Cultural. Portugal promoverá múltiplas actividades que abrangem museus, palácios, monumentos, municípios, fundações, associações de património, associações de profissionais do sector do património e museológico e outras organizações da sociedade civil de todo o país.

 

Para continuarem a ser atractivas e prósperas no século XXI, as cidades portuguesas e do resto da Europa devem empenhar-se ainda mais nas suas realizações culturais e criativas – a União Europeia está aqui para as apoiar com os instrumentos e as políticas necessárias para serem bem-sucedidas.

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