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Texto de Amanda Ribeiro • 13/09/2012 - 16:49
Os Sigur Rós lançaram o desafio e receberam centenas (serão milhares?) de respostas de todas as partes do mundo. A lista de vídeos, sob votação online até 18 de Setembro, quase parece infindável, mas ao fim de um longo "scroll" percebe-se que há uns quantos portugueses a concurso.
Gonçalo Soares é um deles. Com o vídeo (acima) que realizou para "Valtari", última faixa do álbum com o mesmo nome, está no topo da lista dos trabalhos mais votados. Uma nova "Última Ceia"? Um outro "Perfume", de Suskind? A pintura é uma referência assumida, ou não quisesse "aproximar o filme de um quadro", conta o editor de 24 anos, que frequentou a Escola Superior de Teatro e Cinema. "Eu tinha uma ideia vaga de que queria pôr pessoas a comer de uma maneira suja num banquete. Surgiu a 'Última Ceia'", relata. O objectivo principal era "retratar um sentimento". Qual? "A fragilidade e a solidão." Para isso, recorreu a "várias histórias" que levam a uma certa catarse.
Fazer o vídeo foi uma espécie de teste para ele e para os amigos. "Eu e toda a equipa estamos a tentar criar uma associação cultural. Decidimos concorrer para ver se funcionávamos como equipa." Resultou. Caso o vídeo seja o escolhido da banda, os 5 mil dólares vão, direitinhos, para esse projecto. Mas isso não é o fundamental. "O mais importante é muita gente ver isto. Em dois dias já é o meu trabalho mais visto de sempre, o que é brutal."
"Reconhecimento internacional"
A visibilidade também foi o que moveu Bruno Sousa, de 25 anos, licenciado em Design da Comunicação e Multimédia pela ESAP. Estava de férias, precisava de algo para ocupar o tempo e este concurso sempre poderia dar algum "reconhecimento internacional". Mesmo sem ouvir uma única música dos Sigur Rós, juntou-se ao amigo Tiago Martins e lá acrescentou à equipa Daniel Mota (realização), Alexandre Cunha (fotografia) e Andreia Faria (edição).
A partir da música "Varúð", criaram uma "história muito simples", explorando a "nostalgia pela infância", mas também a Natureza, um elemento recorrente nos vídeos da banda islandesa. "Quando somos novos tudo é novidade. Crescemos com essa nostalgia, mas é uma mistura de sentimentos", diz Bruno. O filme, filmado no Parque Natural do Alvão em menos de dois dias, ilustra esse mesmo "resgate do passado".
"Mostrar o que sabemos fazer"
"Varúð" também foi a música escolhida pela equipa de Diogo Louro, estudante de Design na Universidade de Aveiro. O filme, gravado em três actos (Costa Nova, Eirol e Caramulo, respectivamente), narra a história de "alguém que está em casa, num sítio afável, mas que está empenhado em ir para outro sítio onde está preso". Ilustra um "percurso ao contrário", tendo como mote a frase "The only thing that matters is how you feel [A única coisa que importa é como te sentes]", que aparece representada em código Morse no "videoclip" oficial.
Diogo começou a interessar-se por cinema "quando as câmaras DSLR começaram a democratizar a indústria". Investiu numa e hoje, "mais do que design", tem feito "vídeos promocionais". Este projecto, "colectivo", como enfatiza, enquadra-se nesse mesmo percurso. A equipa, composta por Carlos Teixeira (fotógrafo profissional), Tiago Castro (o actor do filme), Ana Gil (designer), Rita Moniz (estudante de mestrado em Multimédia) e o próprio Diogo, é também um colectivo que se dedica a fazer "experiências em fotografia e vídeo". Aliás, caso conquistem o prémio principal, vão investir o dinheiro no colectivo, criando, por exemplo, um estúdio profissional.
Mas Diogo tem os pés bem assentes na terra: "Não creio que vamos ser escolhidos pela banda. A nível técnico o vídeo não está perfeito, mas nunca se sabe." Afinal, a principal motivação nem foi essa: "É muito lindo dizer que se participa nestes processos criativos por paixão à arte. É claro que é verdade, mas temos de ser pragmáticos. No estado em que as coisas estão, queremos sim mostrar o que sabemos fazer."
Dos casamentos para o DJ
A visibilidade, uma vez mais. Não dizem que quem corre por gosto não cansa? Que o diga Bruno Rafael, de 22 anos, que no "videoclip" de "Rembihnútur" decidiu fugir e à estética normalmente associada aos islandeses. Um "DJ que liberta as emoções através da música" é a personagem principal desta narrativa. As suas reacções são expressas pela água e pela chuva de esferovite. É uma história não muito concreta para responder ao apelo do grupo: "ser subjectivo".
Bruno, que trabalha em vídeo há alguns anos, principalmente em casamentos e saídas nocturnas, precisou de seis horas (quatro de captura, duas de edição) para terminar este trabalho, que contou ainda com a colaboração de Liliana Pinto e Leandro Dias (o DJ). Seria "óptimo" ganhar o prémio ("faz imensa falta"), mas não interessa. A "ambição" foi "criar algo para ser divulgado". Já está.