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"Frame" do vídeo de Diogo Louro

"Frame" do vídeo de Diogo Louro

Vídeo de "Varúð" por Bruno SousaVídeo de "Varúð" por Diogo LouroVídeo de "Rembihnútur" por Bruno Rafael

Outros candidatos portugueses

Música

Se os Sigur Rós querem um “videoclip”, os portugueses querem visibilidade

Os Sigur Rós procuram o "videoclip" perfeito para uma das músicas de "Valtari" e vão tê-lo. Dos inúmeros vídeos a concurso estão uns quantos (muitos) com assinatura portuguesa

Texto de Amanda Ribeiro • 13/09/2012 - 16:49

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Os Sigur Rós lançaram o desafio e receberam centenas (serão milhares?) de respostas de todas as partes do mundo. A lista de vídeos, sob votação online até 18 de Setembro, quase parece infindável, mas ao fim de um longo "scroll" percebe-se que há uns quantos portugueses a concurso. 

 

Gonçalo Soares é um deles. Com o vídeo (acima) que realizou para "Valtari", última faixa do álbum com o mesmo nome, está no topo da lista dos trabalhos mais votados. Uma nova "Última Ceia"? Um outro "Perfume", de Suskind? A pintura é uma referência assumida, ou não quisesse "aproximar o filme de um quadro", conta o editor de 24 anos, que frequentou a Escola Superior de Teatro e Cinema. "Eu tinha uma ideia vaga de que queria pôr pessoas a comer de uma maneira suja num banquete. Surgiu a 'Última Ceia'", relata. O objectivo principal era "retratar um sentimento". Qual? "A fragilidade e a solidão." Para isso, recorreu a "várias histórias" que levam a uma certa catarse.

 

Fazer o vídeo foi uma espécie de teste para ele e para os amigos. "Eu e toda a equipa estamos a tentar criar uma associação cultural. Decidimos concorrer para ver se funcionávamos como equipa." Resultou. Caso o vídeo seja o escolhido da banda, os 5 mil dólares vão, direitinhos, para esse projecto. Mas isso não é o fundamental. "O mais importante é muita gente ver isto. Em dois dias já é o meu trabalho mais visto de sempre, o que é brutal." 

 

"Reconhecimento internacional" 

A visibilidade também foi o que moveu Bruno Sousa, de 25 anos, licenciado em Design da Comunicação e Multimédia pela ESAP. Estava de férias, precisava de algo para ocupar o tempo e este concurso sempre poderia dar algum "reconhecimento internacional". Mesmo sem ouvir uma única música dos Sigur Rós, juntou-se ao amigo Tiago Martins e lá acrescentou à equipa Daniel Mota (realização), Alexandre Cunha (fotografia) e Andreia Faria (edição). 

 

A partir da música "Varúð", criaram uma "história muito simples", explorando a "nostalgia pela infância", mas também a Natureza, um elemento recorrente nos vídeos da banda islandesa. "Quando somos novos tudo é novidade. Crescemos com essa nostalgia, mas é uma mistura de sentimentos", diz Bruno. O filme, filmado no Parque Natural do Alvão em menos de dois dias, ilustra esse mesmo "resgate do passado". 

 

"Mostrar o que sabemos fazer"

"Varúð" também foi a música escolhida pela equipa de Diogo Louro, estudante de Design na Universidade de Aveiro. O filme, gravado em três actos (Costa Nova, Eirol e Caramulo, respectivamente), narra a história de "alguém que está em casa, num sítio afável, mas que está empenhado em ir para outro sítio onde está preso". Ilustra um "percurso ao contrário", tendo como mote a frase "The only thing that matters is how you feel [A única coisa que importa é como te sentes]", que aparece representada em código Morse no "videoclip" oficial.

 

Diogo começou a interessar-se por cinema "quando as câmaras DSLR começaram a democratizar a indústria". Investiu numa e hoje, "mais do que design", tem feito "vídeos promocionais". Este projecto, "colectivo", como enfatiza, enquadra-se nesse mesmo percurso. A equipa, composta por Carlos Teixeira (fotógrafo profissional), Tiago Castro (o actor do filme), Ana Gil (designer), Rita Moniz (estudante de mestrado em Multimédia) e o próprio Diogo, é também um colectivo que se dedica a fazer "experiências em fotografia e vídeo". Aliás, caso conquistem o prémio principal, vão investir o dinheiro no colectivo, criando, por exemplo, um estúdio profissional.

 

Mas Diogo tem os pés bem assentes na terra: "Não creio que vamos ser escolhidos pela banda. A nível técnico o vídeo não está perfeito, mas nunca se sabe." Afinal, a principal motivação nem foi essa: "É muito lindo dizer que se participa nestes processos criativos por paixão à arte. É claro que é verdade, mas temos de ser pragmáticos. No estado em que as coisas estão, queremos sim mostrar o que sabemos fazer."

 

Dos casamentos para o DJ

A visibilidade, uma vez mais. Não dizem que quem corre por gosto não cansa? Que o diga Bruno Rafael, de 22 anos, que no "videoclip" de "Rembihnútur" decidiu fugir e à estética normalmente associada aos islandeses. Um "DJ que liberta as emoções através da música" é a personagem principal desta narrativa. As suas reacções são expressas pela água e pela chuva de esferovite. É uma história não muito concreta para responder ao apelo do grupo: "ser subjectivo". 

 

Bruno, que trabalha em vídeo há alguns anos, principalmente em casamentos e saídas nocturnas, precisou de seis horas (quatro de captura, duas de edição) para terminar este trabalho, que contou ainda com a colaboração de Liliana Pinto e Leandro Dias (o DJ). Seria "óptimo" ganhar o prémio ("faz imensa falta"), mas não interessa. A "ambição" foi "criar algo para ser divulgado". Já está.

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