Quarta, 22 Mai 2013 • 12h18
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Texto de Cláudia Carvalho • 14/07/2012 - 15:32
Cantava a Miuda no Palco Heineken do Optimus Alive que só fazia o que queria e o que lhe apetecia e um pouco mais ao lado cantava a Joana o que lhe vinha a cabeça com uma guitarra na mão e um cenário cor-de-rosa para ganhar prémios, imagine-se, de uma marca depiladora. Quem vai ao festival não estará com certeza a pensar fazer a depilação mas a avaliar pela fila, maioritariamente feminina, aproveitam-se os prémios, ainda que nem sempre saiam ou que por vezes não tenham utilidade nenhuma.
“Faço isto mais para a piada, para me divertir”, contou ao P3 Joana, que veio de Leiria para o festival, depois de já ter estado também no Super Bock Super Rock na semana passada. É por isso que já conhece muito bem estes passatempos e, independentemente das marcas e das ofertas, gosta de participar. O truque, conta-nos, é aproveitar quando em palco “não há nada que interesse”. “Sim porque nos intervalos é impossível, isto é uma grande confusão.”
Mesmo assim, com os Refused no palco principal e os Miuda no palco Heineken, a zona dos passatempos está bastante concorrida. E se elas preferem as coisas da depilação, eles lutam por massagens na barraca ao lado e que pertence a uma clínica de estética. Saem cremes e descontos para tratamentos, mas eles, e elas, claro, querem é massagens, contam-nos os promotores.
“Algumas têm a felicidade de conseguir, outras não”, diz Bruno, que fala ao mesmo tempo que tira constantemente de uma caixa duas embalagens de creme. Ao que parece é o prémio que mais sai por estes lados e não é fácil dar vazão. “Temos tido sempre gente, ainda não parámos e a fila nunca desaparece.”
Nessa fila está também Ricardo, e pela segunda vez. “Hei-de ter uma massagem”, garante o jovem, que vê nestas ofertas uma lembrança do festival. “Há quem compre t-shirts, eu gosto mais disto, tem mais piada”, diz, enumerando a quantidade de objectos sem conta que guarda em casa de outras edições do Alive e também de outros festivais. “Lenços, chapéus, óculos...”
É por causa de uns óculos que Maria está numa outra fila de uma outra barraca. “Eu gosto de ganhar prémios, isto é de borla, porque não aproveitar?”, questiona a estudante, acrescentando rapidamente que “o tempo no festival dá para tudo”. E quando diz tudo, é mesmo tudo. “Vou experimentar as barraquinhas todas”, continua, já com os olhos postos na divertida barraca do lado, mais procurada pelos menos envergonhados. É de uma marca de preservativos e para ganhar é preciso saber como os colocar... de olhos vendados.
As gargalhadas são muitas e os curiosos também e os que se aventuram na actividade são ainda mais. “Isto é que sim, não é cá tirar fotos ou fazer corridas, é fazer o que realmente é importante saber”, brinca João, que está prestes a entrar em acção e espera levar para casa alguma coisa para a namorada. “Sim, será também para mim”, diz entre gargalhadas.
Cremes, óculos, t-shirts, lenços, preservativos, bilhetes, bebidas. Há de quase tudo e para todos os gostos. No meio disto tudo, ninguém se lembra ou sabe o que se está a passar pelos palcos do festival. Mas não vêem nisso um problema porque isto é também o festival.
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