Quinta, 23 Mai 2013 • 20h25
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Texto de Pedro Rios • 08/06/2012 - 12:54
Kindness e a festa dos tímidos
“World, You Need a Change of Mind", o álbum de estreia de Adam Bainbridge enquanto Kindness, podia não funcionar em palco. Era até bem provável que não funcionasse, dada a forma quase tímida e insinuante como se apresentam as suas canções, mesmo as mais exuberantes e dançáveis. Mas — surpresa! — é ao vivo que o britânico se supera. Tivemos a prova no Primavera Sound de Barcelona, com Bainbridge a apresentar-se com uma banda eficaz (duas vozes negras a lembrar o melhor da house, da pop e da soul), um baterista que é um inaudito "performer" e outros músicos. Bainbridge não tem aspecto de quem ande nestas lides (pernas altas e cabelo de rapaz certinho saído de Oxford), mas isso só lhe dá mais graça. A música, essa, é uma mini-enciclopédia pop, que vai das canções mínimas de Arthur Russell à festa de Prince.
Domingo, Hard Club, 00h15
O onírico James Ferraro
A música indie moderna é, em 99% dos casos, destituída de qualquer charme transcendente ou mistério. São canções, nós gostamos, mas são canções e pronto. É neste cenário de secura que o americano James Ferraro surge como caso especialíssimo. Depois de ter transformado a new age em matéria excitante, de ter feito obras de arte a partir de mantos de ruído místico emitidos por teclados Casio baratos e um manancial de pedais de efeitos, lançou-se recentemente a uma nova forma de música concreta, só sua, que bebe dos sons e referências da modernidade ocidental (onde "smartphones", "sushi", "jogging" e “O Sexo e a Cidade” são elementos de uma nova mitologia sem deuses). Neste novo projecto, The Bodyguard, com o qual se apresenta no Porto, atira-se ao hip-hop mais digital, sintético e desumano. Novo episódio de um percurso dedicado ao sonho.
Sábado, Palco Club (Parque da Cidade), 20h45; Domingo, Casa da Música, 22h00
Forest Swords, o gestor de ecos
Autor de uma música cada vez sincrética, Matthew Barnes avançou no seu léxico, incorporando elementos do contínuo hardcore que define a música de dança britânica dos últimos anos (do drum’n’bass ao dubstep). Ao vivo, como se viu no Primavera Sound de Barcelona, o britânico revela-se um gestor de sons, desde samples vocais roubados a velhos discos a sintetizadores pesarosos, filtrando tudo por reverberações e ecos com precisão de cientista, como se de um produtor dub se tratasse. Inclassificável.
Sábado, Palco ATP (Parque da Cidade), 01h00
O torpor de The Weeknd
Há puristas do R&B que o odeiam por vender a indies, com más canções (dizem eles), uma música que outrora os indies detestavam. Isso interessa pouco, quando o que o canadiano Abel Tesfaye (The Weeknd) faz é um muito seu cocktail de baladas pós-coito, pós-droga e pós-birras, que rouba samples a gente como Beach House (que também estarão no Primavera) e Siouxsie and the Banshees. E com óptimas canções (dizemos nós). No pouco que conseguimos espreitar em Barcelona, constatámos que a transposição destas canções para um palco funciona.
Sábado, Palco Club (Parque da Cidade), 22h00