José Sena Goulão/Lusa

Crónica

Zero pontos para o Bloco

Ao promover uma campanha pela atribuição de zero pontos a Israel, o Bloco volta a dar mais um tiro no pé. Camaradas do Bloco, a música é má, e quanto mais falarem dela e mais suscitarem ódios e rancores em relação à mesma, mais o público votará em sentido contrário ao desejado por vossas excelências

Texto de João André Costa • 11/05/2018 - 15:18

João André Costa
João André criou o blogue Dar aulas em Inglaterra

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Como se não houvesse mais nada para fazer, parece que o Bloco, na sua costumeira necessidade de atenção, luzes e acção, decidiu embirrar com a Eurovisão e a participação de Israel, participação essa que, de acordo com o Bloco, nada mais é do que um instrumento de branqueamento da imagem internacional do Estado de Israel.

 

Ò meus amigos, e parafraseando Salvador Sobral, a música de Israel é “horrível”, cheia de trinados e gritinhos num inglês duvidoso, expondo desde os primeiros acordes a sua intérprete, Netta, e todo o Estado de Israel, ao ridículo e gozo de toda a Europa, senão do mundo inteiro.

 

Infelizmente, e numa já longa tradição de mau gosto e espectáculo característica da Eurovisão, a música de Israel está destinada à vitória final. Tal, repito, não significa que a música seja boa, porque não é, sendo de tal modo espalhafatosa, desde a indumentária à electrónica a bombar nos ouvidos dos espectadores, que a última coisa perceptível é a mensagem de emancipação feminina com o tal intuito de melhorar a imagem de Israel.

 

Aliás, coitada da Netta, enrolada no espartilho de um guarda-roupa onde a liberdade e a emancipação de uma mulher são quase nulas, deserta por sábado para perder o festival e estas roupas que a oprimem, tal como Israel oprime o povo palestiniano.

 

Ao promover uma campanha pela atribuição de zero pontos a Israel, o Bloco volta a dar mais um tiro no pé. Camaradas do Bloco, a música é má, e quanto mais falarem dela e mais suscitarem ódios e rancores em relação à mesma, mais o público votará em sentido contrário ao desejado por vossas excelências, pois o público, nós, somos mesmo assim, movidos por paixões num concurso onde quem manda é o coração e nem por isso a razão, assim é o gosto pela música, e gostos não se discutem (apesar de eu não gramar a música, não sei se já o disse).

 

Portanto, camaradas, não bastando estarem a remar contra a maré, estão também a torná-la mais forte e, por conseguinte, parem, por favor, o barco está a virar e ninguém quer saber, está a dar a segunda semifinal.

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