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O vocalista João Pimenta e o baixista Tiago Silva na Rua da Picaria, no Porto

O vocalista João Pimenta e o baixista Tiago Silva na Rua da Picaria, no Porto Liliana Pinho

"Artwork" do álbum por Anoik DR

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A gravação de "Rua da Picaria"

João conta o processo de gravar no chuveiro

O sonho de tocar em Paredes de Coura

Liliana Pinho

ALTO! na Rua da Picaria

Música

Queremos mais ALTO!

A banda barcelense lançou o primeiro álbum homónimo em Fevereiro e, desde aí, tem andado nas bocas do mundo. Para ver este sábado, em Guimarães, na maratona XX Vinte 20

Texto de Liliana Pinho/JPN • 24/03/2012 - 17:20

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A viagem de ALTO! começa em Paris, passa de comboio em Praga e acaba em Cracóvia, mas não sem antes dar um pulinho ao Porto. Na Invicta, João Pimenta deslumbrou-se com a Rua da Picaria, entre o café Candelabro e um restaurante turco.

 

Mas mais deslumbrante do que a rua era a mulher que lá vivia, com quem teve "histórias bonitas e feias" que culminaram num som em que não são necessárias palavras. "Picaria é o que alguém poderia ouvir na varanda de casa a fumar um cigarro, com um teclado a ser tocado no quarto ao lado", explica João.

 

"Rua da Picaria" é a nona faixa do novo álbum da banda barcelense ALTO!, formada por elementos dos Black Bombaim e Green Machine: João Pimenta (voz), Bruno Costa (guitarra/voz), Ricardo Miranda (guitarra/teclados), Tiago Silva (baixo/voz) e Paulo Senra (bateria). Mas apesar de ser a única música instrumental, não é a única que conta uma história. O álbum homónimo do grupo formado em 2008 é composto por dez músicas referentes a cidades europeias distintas, que contam histórias da vida e das viagens do vocalista João Pimenta, no alto dos seus 20 anos.

 

João e o chuveiro

Passados dez anos, Tiago Silva e João Pimenta — um aluno e outro ex-aluno de História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto — falam do álbum que demorou três anos a nascer mas que já é o menino dos seus olhos.

 

Editado pela Lovers & Lollypops, ALTO! "está a ser muito bem recebido", diz João. "Chalk Farm", a energética história de Londres é a faixa de eleição de Tiago, enquanto João prefere a psicadélica "Garaplina", que pode ser uma rampa de lançamento para um futuro diferente.

 

O que ninguém sabe é que além deste álbum ter sido feito em três dias e não ter qualquer pós-produção, a voz de João percorreu os Estúdios Sá da Bandeira de alto a baixo — desde o vão da escada ao chuveiro. Sim, o chuveiro. João, por exemplo, sentia-se "muito mais à vontade" a gravar na casa-de-banho e com os pés cheios de gel de banho. "Podia sair um som engraçado", conta. É esta a personalidade dos ALTO! — a loucura e o improviso — que tanto os caracteriza ao vivo. Para ver com os próprios olhos este sábado na maratona XX 20 Vinte, que junta 20 bandas, 20 DJ e cartazes de 20 ilustradores no Instituto de Design, em Guimarães.

 

ALTO! são "90% de trabalho e 10% de inspiração"

Os ALTO! começaram no "bunker", o nome carinhoso a que dão à garagem com dez metros quadrados forrada a esferovite, debaixo de um café de Barcelos. Agora é o estúdio por excelência, "o epicentro da cena de Barcelos", conta João. Com um EP na bagagem, "See you in Hell, Ron" — em homenagem ao Ron Asheton, dos The Stooges — partiram em 2009 para uma digressão em Espanha que se tornou numa autêntica aventura.

 

"Em Rayen, tocámos para quatro ou cinco pessoas e duas delas eram os gajos do bar", recorda Tiago. "Aí tens mesmo de dar o melhor concerto de sempre, até porque se essas pessoas forem embora, ficas a tocar para quem? Mas demos um concerto do caraças, as quatro pessoas compraram quatro CD e foi um momento muito importante para a carreira dos ALTO!", diz João.

 

Foi de Espanha que trouxeram, também, o segundo EP: "Computer Says No!", que foi todo gravado em analógico, no Circo Perrotti em Gijón, com material de 1967. "O tipo é mesmo um purista, lá não entra nada digital. Gravámos com um microfone de bateria que o Ringo Star usou em dois discos dos Beattles", conta Tiago. Desde aí é concertos frequentes e cozinhar na estrada. "Nós costumamos cozinhar em sítios cénicos. Levamos um 'camping gaz' e aqui o Tiago é o chefe", conta João. E a ementa vai da bolonhesa ao arroz solto, seja no Castelo Medieval de Penafiel ou no Cromeleque dos Almendres, em Évora.

 

Quanto ao público português, os dois músicos não têm dúvidas: é muito mais exigente com as bandas nacionais. "É preciso seres três ou quatro vezes melhor do que uma banda estrangeira para que o público português diga: 'Ah, isto nem parece português!' Quando dizem isto quer dizer que acabaram de aceitar a banda como uma banda boa", explica João. Diz ainda que se os ALTO! fossem de Lisboa, tinham tido muito mais oportunidades até agora, mas é no norte que estão os palcos de sonho. Entre os festivais, elegem o Paredes de Coura; em salas fechadas, a escolha recai, sem dúvida, no Hard Club, onde contam chegar já este ano.

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