Luís Severo, o fingido charmoso de hospício

autoria Anónimo

// data 15/01/2018 - 14:06

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Há certas semanas em que acontecem coisas acertadas: na plataforma dos videoclipes portugueses, de onde se selecionam os destaques semanais para esta galeria, a partir dos links que qualquer pessoa lá adiciona, coincidiu com a receção de dois videoclipes relativos a músicos com um assumindo e irónico gosto pela fancaria visual daquela mais inestética. Ou seja, o Fink, the Alien, de Mr. Gallini, realizado pelo próprio — o tal que já nos tinha presenteado há um ano com uma maravilha galinácea. E, naturalmente, o que aqui destacamos, este Planície (tudo igual) de Luís Severo (chegou-nos sem referência da autoria). Tema do seu elogiado segundo álbum, homónimo, no qual se fotografa em modo “condessa de bairro social”, pois nele saboreia-se uma refinada poética sobre romance e território, envolvida por deliciosos e elegantes arranjos fora de moda. Ora, se ao poeta, um fingidor por natureza, lhe faltam os dotes físicos e vocais, o “previlégio é ser homem na batota”, logo, é de lhe tirar o chapéu esta exibição caricata de um ridículo artista poseur de canto romântico. E afinal, se a insanidade estética já grassa por essas nossas planícies, que mal fará ter ar de charmoso de hospício? Assim é este videoclipe risível de tanto kitschpara glória da pós-verdade dos nossos dias. (Informação recebida posteriormente: vídeo de Núria Bernardo e Luís Henriques)

 

Texto escrito segundo o novo Acordo Ortográfico, a pedido do autor.

Eu acho que