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Aniki Bobó reabre para voltar a ser ponto de encontro para a música alternativa

Reabertura prevista para o primeiro semestre de 2018. A segunda vida do Aniki Bóbó será também “a casa” da Lovers & Lollypops

Texto de André Vieira • 29/08/2017 - 12:40

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A placa com o nome ainda lá está, na Rua da Fonte Taurina, na Ribeira do Porto, mas o bar está encerrado. Foram vinte anos de actividade, interrompidos em 2005, dedicados à divulgação de música mais alternativa e a servir de ponto de encontro para melómanos e músicos do cenário musical portuense. Pelo Aniki Bóbó, passaram bandas emergentes que agora são referências, que na altura ajudaram a criar um culto em torno do bar. Fechado há mais de dez anos, vai reabrir em 2018 com nova gerência, mas com o mesmo propósito.

 

Responsáveis pelo reabertura estão a Câmara Municipal do Porto (CMP), proprietária do prédio, e a promotora Lovers & Lollypops, fundada na mesma cidade um ano depois do encerramento do bar. A autarquia queria voltar a dar utilidade ao prédio e a promotora queria cumprir o sonho de ter um espaço próprio para continuar a desenvolver o trabalho iniciado há 11 anos. Inicialmente a CMP tinha pensado o local como base para a Fonoteca Municipal de Vinil, que mais tarde decidiu instalar na Plataforma de Campanhã. Como a ideia central para o espaço continuaria a ter a música como prioridade surge a oportunidade. “Já há algum tempo que quereríamos ter a nossa casa”, explica o responsável pela promotora, Joaquim Durães, que garante que a programação do Aniki Bóbó não colidirá com a agenda de concertos programados para outros espaços. “Continuaremos a trabalhar da mesma forma. São coisas diferentes. A nossa agenda continuará a ser pensada como foi até agora”, sublinha.

 

Será o Aniki Bóbó o centro nevrálgico da actividade da Lovers & Lollypops que poderá receber propostas musicais nacionais e internacionais de “vanguarda” e mais “experimentais” num “espaço intimista” e aberto a outras promotoras da cidade. Serve também a segunda vida do Aniki Bóbó para complementar um eixo que já existe composto pelo “Maus Hábitos, Passos Manuel (do antigo proprietário) ou o Cave 45”.

 

Ciente do peso da herança que tem, Joaquim Durães está à vontade para dizer que a promotora está preparada para abraçar o projecto. “Não foge muito à linha do que já temos vindo a desenvolver até agora”, afirma. O caminho a seguir terá como “traves mestras” a mesma base que sustentava o projecto original, agora adaptado à realidade actual. Será mantido o mesmo espírito do local, que será ponto de encontro informal para melómanos, mas mais focado na música ao vivo: “Será um espaço de concertos que por acaso também tem um bar”.

 

O antigo proprietário, António Guimarães, conhecido por Becas, vê com bons olhos a reabertura: “Fui contactado para saberem o que achava da reabertura e teve logo o meu aval”. Trabalha com a promotora desde o início da actividade da mesma e por isso diz acreditar que a continuidade do Aniki Bóbó “está em boas mãos”. De resto, terá uma “residência mensal” onde está livre para apresentar as propostas que tiver em mente. Algo que o deixa mais descansado é não terem reconvertido o bar em “mais um local para turistas”, como diz ter acontecido em muitos espaços da Ribeira, de onde saiu em 2005 para se dedicar a tempo inteiro ao Passos Manuel, bar que abriu um ano antes. O motivo da saída da Ribeira afirma ter sido a da insegurança que existia na altura: “As pessoas tinham medo de vir à Ribeira”. Dos tempos que lá esteve, recorda o ambiente “diferente” que se vivia num bar que terá sido “pioneiro”. Naquela zona, pouco tempo depois surgiram outros bares de referência para melómanos como o Mercedes e o Meia Cave.

 

Durante os 20 anos em que esteve aberto por lá passaram bandas como Anamar, Rádio Macau, Pedro Abrunhosa & os Bandemónio, Radar Kadafi, Ornatos Violeta, Madredeus ou os Clã. Hélder Gonçalves, guitarrista dos últimos, recorda-se de frequentar o espaço ainda antes de ter formado a banda. Mais tarde, o Aniki Bóbó foi um dos primeiros sítios onde actuaram, na primeira metade dos anos noventa: “Era um espaço onde se ia ouvir música que não se ouvia em mais lado nenhum. Era o ponto de encontro de muitos músicos e de gente que lá ia para ouvir música nova”.

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