Há um parque de campismo fantasma nas margens do Taboão

autoria André Vieira

// data 04/08/2017 - 17:50

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Estão centenas de tendas montadas junto às margens do rio Taboão, em Paredes de Coura. É de manhã e não se ouve vivalma. Seguimos em ziguezague por entre os caminhos deixados em aberto, com cuidado para não pisarmos as estruturas de pano que se perdem de vista no horizonte da mata coberta pela sombra das árvores. Vamos em silêncio. Não queremos acordar ninguém. Isso era se houvesse quem acordar. Está aí alguém? Se perguntássemos não tínhamos resposta. Para onde foram todos? Onde não há tendas há galhos de árvores a fazer monte. Não se percebe se preparados para que uma fogueira possa ser acendida ou se para ocupar espaço. Há uma cruz feita de paus pendurada numa árvore e uma corda que simula uma forca. A delimitar partes do território, fitas de sinalização zebradas. Algumas tendas estão abertas, outras começam a ser comidas pela vegetação, outras já não se aguentam em pé. Gente é que continuamos sem vê-la. Foram-se e deixaram este cenário para trás? Entretanto, ouve-se o burburinho de uma conversa que vem de longe. Avista-se um vulto e depois outro. São duas pessoas. Na mão trazem um pedaço da fita zebrada que está espalhada um pouco por toda a área. Dizem-nos que nenhuma das tendas que lá está é propriedade de qualquer uma das duas, mas explicam que todas elas têm dono. Estão a marcar território. A guardar lugar para um grupo de amigos “que é de longe”. O parque não foi abandonado, está em construção. Desde o início de Julho que cresce em extensão e diminuem os lugares disponíveis para mais um tenda. Está a chegar a 25.ª edição do festival Paredes de Coura e ocupa-se já o melhor lugar para, durante quatro dias (16 a 19 de Agosto), se pernoitar e aproveitar a melhor sombra da tarde. Está desvendado o mistério. Não é um fenómeno recente. Todos os anos é assim. Este ano ainda mais cedo do que nos anteriores, explicam-nos. Há quem nos diga que dias antes do início do festival já estão a ocupar as tendas: “São as nossas férias”.

Eu acho que