O Messias da tecnologia dos Sepultura apareceu num Hard Club cheio

autoria André Vieira

// data 05/07/2017 - 16:45

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Sala cheia, braços no ar, toca a intro. Entrada dramática de teclado pré-gravado antecipa a chegada dos músicos ao palco. Ouve-se um aplauso e avistam-se uns vultos, solta-se a distorção. São os Sepultura a entrar a pés juntos com I am The Enemy, seguida de Phantom Self, do novo álbum que disserta sobre a ideia de que uma máquina terá criado a humanidade, Machine Messiah, que estão a apresentar na Europa. “O metal não é para quem quer, é para quem pode”, dizia-se na sala 1 do Hard Club. E os Sepultura podem. Há mais de 30 anos que o fazem. Já há mais de uma década sem os irmãos Cavalera, que no final do ano passado também estiveram na mesma sala para tocar na integra Roots, álbum da banda que deixaram para trás. Da formação original sobra Paulo Jr., no comando está Andreas Kisser, na guitarra quase desde o início da formação, mas é Derrick Green que toma conta do palco. Quase dois metros de vocalista impõem respeito. Respeito que o vocalista norte-americano foi conquistando ao longo dos vinte anos que tem de banda, mais de metade deles a ser comparado com Max Cavalera, o primeiro dos irmãos a sair. A verdade é que as músicas da era Max não soam tão coesas. Mas mais do que por responsabilidade de Green, é a ausência de uma segunda guitarra que mais falta faz. Mas os Sepultura já não são os irmãos Cavalera e já são mais os álbuns gravados pelo último vocalista do que pelo actual líder dos Soulfly e Cavalera Conspiracy. O frontman, que trazia vestido uma t-shirt dos Equaleft, banda de abertura, dá conta do recado e o novo material também. Quem se encaixou como uma luva na banda foi o baterista Eloy Casagrande, uma máquina de precisão. O público, dividido entre velha guarda e nova geração de fãs, responde à setlist de maneira diferente. É quando tocam Desperate Cry, Inner Self, Territory, Refuse/Resist, Arise e Biotech is Godzilla, numa versão mesclada com Polícia (original dos Titãs), que os seguidores mais antigos entram em êxtase. Ficou a faltar a Troops of Doom. O entusiasmo dos mais novos é maior nos temas mais recentes. O meio termo é encontrado em Ratamahatta e Roots Bloody Roots, músicas que encerraram o concerto. Pelo meio houve improviso de bossa nova, algumas tentativas de comunicação em português por parte de Green e mosh e crowdsurfing na plateia. Quase a chegar à meta, o vocalista espalha-se ao comprido. “Lisboa you are...”, esqueceu a geografia em casa. Ouve uma monumental vaia e emenda “Desculpem. Têm de admitir que teve alguma piada”, ri-se. O público também achou que sim. Ganham os Sepultura ao bairrismo e cortam a meta com novo recorde.

Eu acho que