Música

Se deixasse de ouvir música no YouTube, a indústria não sairia a ganhar

Estudo europeu mostra que só uma pequena porção dos consumidores passaria a utilizar plataformas de maior valor para os artistas. Outros apontam a pirataria como alternativa

Texto de Hugo Torres • 14/05/2017 - 12:16

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A longa contenda entre o YouTube e a indústria discográfica e as entidades que gerem os direitos de autor tem novos dados para pôr em cima da mesa. O Google encomendou um estudo à consultora britânica RBB Economics sobre o impacto que o seu popular serviço de streaming de vídeos tem no consumo de música e na capacidade que esta tem de criar valor para editoras e artistas. Os resultados dão força aos argumentos do YouTube.

 

A principal conclusão é que 85% do tempo despendido a ouvir música no YouTube, caso os utilizadores deixassem de o poder fazer, seria canalizado para outros serviços de valor similar ou inferior (para a indústria), como a rádio e a televisão; para serviços de valor zero, incluindo, por um lado, serviços pagos que já são utilizados, mas, por outro, o recurso à pirataria; e, sobretudo, metade desse tempo seria perdido para outras actividades.

 

O inquérito foi conduzido em França, Itália, na Alemanha e no Reino Unido, sendo estes últimos palco de firmes disputas legais. A multinacional pode agora servir-se destes resultados para sublinhar que, precisamente nesses países, “é improvável uma canibalização significativa” do YouTube a outros serviços. Mais: cruzados os dados oficiais de mercado, também não foram identificados “impactos significativos” nos serviços pagos de streaming — como o Spotify — para ouvir música que tenha sido bloqueada no YouTube.

 

O Google apresentou esta primeira parte do estudo (faltam mais quatro) no seu blogue — e não perdeu a oportunidade de dizer que o YouTube pagou mil milhões de dólares (cerca de 916 milhões de euros) à indústria da música ao longo de 2016, nem de lembrar que a tecnologia Content ID permite que os autores lucrem com vídeos partilhados por outros utilizadores.

 

Uma nota a que se juntam outros números: os utilizadores do YouTube dizem passar aproximadamente 20 minutos por mês a ouvir música pirateada, mas o inquérito mostra uma predisposição para um aumento de 29% desse tempo caso perdessem acesso à música no serviço de vídeo. É uma média. Na Alemanha, o valor seria de 51%.

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