Se a vida é terrena, o rapper é ETERNO

autoria André Carvalho

// data 11/05/2017 - 22:42

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Se a cultura hip-hop emergiu e se afirma habitualmente a partir de contextos periféricos, é natural que a sua expressão exulte os elementos de identificação e agregação comunitária. No entanto, sendo hoje já uma cultura mainstream, seria também natural que um “artista” neste género procurasse alguma originalidade - ou não fosse essa a condição da anterior palavra com aspas. Embora já tenhamos aqui mencionado alguns exemplos criativos na fórmula de representação do hip-hop em vídeo (sem forçar a afrontação da câmara e as mãos em ganchos afirmativos), surgiu esta semana em VIDEOCLIPE.PT um vídeo singular por um rapper que exprime também alguma singularidade, e a merecer atenção. Eterno, pseudónimo do coimbrão David Mendes, está a relançar a sua “arte” preparando para este ano uma nova mixtape e um álbum de originais, mas não sem antes se retratar neste Desabafos da sua mixtape de 2015, A Casa. O caráter introspetivo das suas rimas ganha assim uma exemplar dimensão documental, baseada no acolhimento social que a República Ninho dos Matulões lhe permitiu viver e sonhar. Dimensão essa que se expande ficcionalmente pelo trabalho do André Carvalho (mentor dos “lémures” criativos de Coimbra, sob a marca Lazy Eye), porque, se a vida é madrasta, o rap pode ser uma boa madrinha do sonho e da salvação.

 

Texto escrito segundo o novo Acordo Ortográfico, a pedido do autor.

Eu acho que