O rock 'n' roll vive em Osaka e ninguém sabia

autoria André Vieira

// data 20/04/2017 - 11:10

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Desconhece-se se Chuck Berry ou Jerry Lee Lewis falavam (ou falam no caso do segundo) japonês. Certo é que, garantidamente, os japoneses The Neatbeats falam Chuck Berry e Jerry Lee Lewis fluentemente. Fatos aprumados e cabelos impecavelmente penteados, a comprovar que o stock de brilhantina de Osaka, de onde são, não sofre rupturas, subiram ao palco do Cave 45, para se estrearem em Portugal, dois dias depois de por lá terem passado os míticos The Dictators. Atiram-se de cabeça e de uma assentada espalham pela sala, em doses pouco recomendáveis para os intolerantes à adrenalina, o mais puro rock 'n' roll. Pausa breve. É hora de cumprimentar os presentes e fazer as apresentações. Engrena outra vez a máquina e a partir daí foi o descalabro (do bom) total. É impossível não bater, pelo menos, o pé ao som do ritmo desenfreado, contagiante e boa onda destes quatro rockers que parecem ter sido desviados de um baile rock dos anos 50. O palco é pequeno, mas com espaço suficiente para se passearem nele em constantes trocas de posição, numa coreografia que pouco interessa se foi ensaiada. Quando o estrado parecia encolher, há mais sala do que palco e foi aí que se juntaram a quem dançava. Os Neatbeats não se cansam e não cansam ninguém. Na infância caíram no caldeirão da poção mágica do Chuck Berry e beberam demais. São Jerry Lee Lewis a mil à hora. Debitam malhas atrás de malhas em doses de 3 minutos cada. Não é preciso mais do que isso. Cantam maioritariamente em japonês, mas não há barreira linguística. Ouvem-se muitos Yeah Yeahs, há Hippy Hippy Shake, Twist and Shout e uma obsessão pelo bacalhau – palavra repetida pela banda durante todo o concerto. No dicionário onde descobriram o petisco português também encontraram a palavra obrigado, retribuída com um arigato. Durante todo o concerto a intensidade está constantemente em zona vermelha. O público deixa-se levar e entra em modo festa. O set é grande, mas não se dá por isso. Foi hora e meia de euforia colectiva que passou em 20 minutos. O rock está vivo em Osaka e mostrou-se no Porto.

Eu acho que