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"Fomos buscar a magia de construção de outros tempos"

"Fomos buscar a magia de construção de outros tempos" DR

André Antunes, engenheiro civil, e Nico Guedes, baterista e escultor

André Antunes, engenheiro civil, e Nico Guedes, baterista e escultor DR

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"Não podemos competir com os preços da China"

"Aplicar o dinheiro em research and development"

Paulo Pimenta

Nico Guedes, baterista e escultor

Música

Catdrums, estas baterias não são para meninos

A marca portuguesa já tem uma bateria com revestimento de cortiça e espera vir a ter ferragens made in Portugal

Texto de Luís Octávio Costa • 22/02/2012 - 20:13

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Esta marca não é para quem gosta de pronto-a-vestir, não é para quem tem prazer em ir a uma grande superfície comprar parafusos. “Não é para todos. Não pode ser para todos”, deixou bem claro Nico Guedes em conversa com o P3. Comprar uma bateria Catdrums é como tirar medidas no alfaiate, é como passar na drogaria e ter a certeza que aquele parafuso é o parafuso.

 

Nico Guedes, baterista e escultor, e André Antunes, engenheiro civil, estão a desenvolver uma marca europeia de baterias “totalmente customizadas” — pré-lançamento esta quinta-feira, pelas 22h30, no portuense Hot Five com direito a "jam session". “Queremos tornar mais fácil a diferenciação e a autenticidade”, explica Nico. “Queremos construir melhores baterias do que as melhores baterias que já tocamos”.

 

“Fomos buscar a magia de construção de outros tempos, na altura em que as baterias eram fabricadas artesanalmente. Isso conferia-lhes um som mais errático, mais singular. As nossas são peças diferentes, soam de forma diferente. A cada bateria juntamos carinho e dedicação diferentes de qualquer processo fabril, onde tudo é formatado — e às vezes com erros e defeitos que aqui são depurados ou reconstruídos”.

 

É a diferença entre uma loja de pronto-a-vestir e um alfaiate. Continua a existir um objectivo comercial, mas ao mesmo tempo “sonhador e sónico, com componentes de topo”, completa Nico Guedes, actualmente com quatro bandas (Budda Power Blues, Pagú Escangalhado, Balão de Ferro e Monstro Mau) e uma produtora de filmes animação (a New Animation Lab).

 

A Catdrums aposta em clientes “semiprofissionais e profissionais”. “Não podemos competir com os preços da China e de Taiwan. Quem vai começar é melhor comprar uma bateria mais fraca porque não sabe se vai continuar e o investimento escusa de ser tão grande. A partir do momento em que a pessoa começa a perceber que tipo de som quer, nós começamos a ser os fornecedores ideais”.

 

Sai uma bateria de cortiça

Baterista e percussionista desde miúdo, Nico Guedes já tropeçou várias vezes em baterias fabricadas em série. “As marcas ficaram cada vez mais estandardizadas, reduziram os padrões de qualidade e mantiveram os preços. Queres uma bateria? Escolhes entre quatro cores”.

 

A marca Catdrums pretende entregar uma bateria “custom” no prazo de um mês. Assim ou assado. “Não temos azul, fazemos azul”. Atendimento personalizado garantido. “As marcas são muito institucionais a vender os instrumentos. São muito sérias e levam-se muito a sério. A nossa bateria não pode ser para ‘pussies’. Não queremos baterias de catálogo. Queremos uma cena crua. Odeio ir a uma grande superfície comprar parafusos e estar tudo em saquinhos e não saber o que levar. Tens que andar a adivinhar...”

 

“As marcas estão a fazer acabamento em madeira envernizada, uma formatação mais barata. Lixar, envernizar e tá feito”. Aqui há “aspecto vintage, madrepérola, champagne sparkle”... E porque não revestir os cascos de madeira a cortiça? Chama-se “investigar e desenvolver”. “Falámos à Pelcor, empresa algarvia, e ganhámos uma bateria esponjosa e absorvente, altamente lavável e resistente a tombos, arranhões e pancadas contra os tripés”.

 

Além disso, a cortiça Catdrums poderá ser pirogravada, acompanhando as tarolas e os bombos com intervenções de artistas convidados. “Estamos a começar pelo aspecto (estamos a comprar as peças à Alemanha e Estados Unidos), mas a nossa ideia é passar a fabricar em Portugal. Já estamos em conversações com carpinteiros e marceneiros. E no futuro também gostávamos de ter as ferragens portuguesas”.

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