Quarta, 16 Mai 2012 • 23h39
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Texto de Patrícia Matias • 26/01/2012 - 12:12
Quem é vivo sempre aparece. É assim o provérbio? No caso dos Death in Vegas, parece ser. Após sete longos anos sem criações musicais (neste projecto), a banda volta a surpreender-nos com um álbum que estaria em banho-maria já há bastante tempo. Tanto Richard Fearless como Tim Holmes tinham já alguns temas para um novo álbum, faltando apenas misturar. Mas como não sofriam de pressões de editoras discográficas, foram-se envolvendo noutros projectos e deixando estes temas em espera, para se envolverem em outras aventuras musicais.
Em 2011, saiu finalmente o álbum "Trans-Love Energies", contando apenas com a assinatura de Richard Fearless. O álbum, como já vem sendo hábito dos Death In Vegas, vagueia por vários estilos musicais, não sendo possível afirmar categoricamente e com toda a certeza que é apenas "post-punk", ou electrónico, ou psicadélico, ou rock, ou "house" minimal. É um trabalho bastante heterogéneo, o que permitirá, possivelmente, que seja apreciado por amantes de diferentes “correntes” musicais.
Mas se no meio dessa heterogeneidade existe alguma homogeneidade, essa será concerteza a escuridão. Ao ouvirmos o primeiro tema deste trabalho: “Silver Time Machine”, temos a sensação de que acabámos de carregar no "PLAY" de um filme “dark” e estranho e logo nos surgem na mente imagens distorcidas e lúgubres, quase ao estilo dos filmes de David Lynch.
O tema “Your Loft My Acid” traz-nos já uma componente bastante mais electrónica e suave, com a voz de Katie Stelmanis (Austra), que parece ser a porta para músicas um pouco mais luminosas, mas ainda assim com uma boa dose ácida, como em “Witch Dance”. “Drone Reich” poderia bem ser o som de fundo de uma cena em que o protagonista do nosso pretenso filme, que se desenha na nossa cabeça, estaria às voltas, entre delírios e profundas viagens ao seu subconsciente para resolver o seu dilema. E para terminar, “Savage Love” ouvir-se-ia no final do filme, em que as personagens não teriam o desfecho tão feliz como os dos contos de fadas, mas um pouco mais parecido com a vida real.
"Trans-Love Energies" não será, porventura, o melhor álbum de Death In Vegas, mas é concerteza um bom trabalho para se ouvir e explorar. Quem puder adquirir a versão "deluxe", ganha ainda um segundo cd com alguns "remixes".
Se a arte imita a vida, este álbum poderia e bem ser a banda sonora da vida de alguém.
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